quinta-feira, 9 de julho de 2026
Bom senso também joga
08/07/2026

A mudança de horário do jogo das Brabas contra a Ferroviária, pela Copa do Brasil Feminina, foi mais do que um simples ajuste de tabela. Foi uma decisão de bom senso.

Marcar uma partida importante para as 15h de uma quinta-feira é dificultar a vida de todo mundo: das atletas, da torcida que trabalha ou estuda, da imprensa e até de quem gostaria de acompanhar pela televisão.

O futebol feminino não pode ser tratado como se fosse um produto secundário, encaixado onde sobra espaço, seja na tabela de horário da CBF ou de quem vai transmitir a partida. Precisa ser visto, vendido e respeitado como parte nobre do futebol brasileiro.

Por isso, Gabi Zanotti, atleta de destaque das Brabas, teve razão ao criticar publicamente o horário anterior. A cobrança não foi capricho. Foi um alerta.

Quem organiza o calendário precisa entender que exposição também é valorização. Um jogo competente, entre duas equipes fortes, merece horário digno, transmissão fortalecida e condições para atrair público.

E esse cuidado se torna ainda mais urgente porque o Brasil está a menos de um ano de receber a Copa do Mundo Feminina de 2027. Não dá para esperar o torneio chegar para começar a falar sério sobre futebol feminino.

A construção do engajamento do público com o esporte precisa começar agora, com marketing, planejamento, calendário inteligente e respeito às protagonistas.

A CBF, os clubes e a imprensa têm responsabilidade nesse processo. Quem cuida do futebol feminino precisa zelar pela sua imagem, pela sua audiência e pelo seu crescimento.

Mudar o horário foi um acerto. Que não seja exceção, mas começo de uma nova postura.

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Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.