A partir de hoje, faltam 365 dias para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho. A marca deveria ser celebrada com a grandeza que merece.
Mas, anunciada em meio à Copa masculina, acabou perdendo parte do brilho simbólico que poderia ter.
Ainda assim, o maior legado que se pode esperar não está apenas dentro de campo. Ele precisa aparecer na administração do futebol brasileiro. A CBF deve tratar o futebol feminino com a mesma seriedade exigida no masculino, cobrando o registro dos contratos de trabalho na carteira profissional e garantindo condições reais de exercício da atividade.
É preciso romper, de vez, com o falso amadorismo que ainda serve para negar às jogadoras direitos básicos.
A alegação de que o futebol feminino é amador é singela, mas enganadora. Atletas que vivem do próprio trabalho são profissionais.
E, pela lógica da Lei Geral do Esporte, a profissionalidade está na prestação remunerada e habitual da atividade esportiva, não no gênero de quem a pratica.
Mais cobertura de mídia, novos espaços de debate e a chegada de patrocinadores são avanços importantes. Mas, neste cenário, são temas secundários diante da distinção equivocada entre amador e profissional, quando o critério escondido é ser homem ou mulher.
Que a contagem regressiva para 2027 marque também uma mudança de chave.
Que se cobre o registro na CTPS, o contrato formal e a proteção legal. Porque profissionais elas já são. Essas mudanças são essenciais para garantir que todas as atletas tenham acesso a direitos e oportunidades iguais.
É fundamental que a sociedade reconheça e valorize o esforço e a dedicação de mulheres no esporte, criando um ambiente mais justo e inclusivo