Em 2027, feriado para o jogo delas na Copa
28/06/2026

Na Copa do Mundo masculina de 2026, os jogos da Seleção Brasileira são, em regra, dias comuns de trabalho.

Sem legislação especial que transforme as partidas em feriado, a liberação depende de decisão do empregador, acordo, compensação de horas ou norma específica para determinados setores. Até quando há flexibilização no serviço público, ela vem acompanhada da necessidade de compensação.

Para a Copa do Mundo Feminina de 2027, o cenário é outro. Como o torneio será disputado no Brasil, a Lei nº 15.421/2026 criou uma estrutura própria para a competição e autorizou a decretação de feriado nacional nos dias de jogos da Seleção Brasileira. Também permitiu ajustes em calendários escolares e estabeleceu regras para a organização do evento.

A diferença é simbólica e poderosa.

Pela primeira vez, a Copa feminina chega ao país com tratamento jurídico de grande evento nacional. O Estado reconhece sua importância institucional, econômica, social e cultural. O futebol das mulheres, enfim, entra no calendário oficial do país.

Mas é justamente aí que nasce a pergunta incômoda: se há lei para proteger o espetáculo, organizar feriados, adequar férias escolares, regular direitos comerciais e garantir a realização do torneio, por que ainda se aceita que tantas atletas sejam tratadas como amadoras? Inclusive pela Justiça do Trabalho.

O futebol feminino não pode ser profissional apenas para vender ingresso, atrair patrocinador, movimentar audiência e justificar feriado. Precisa ser profissional também na carteira de trabalho, no contrato, na remuneração regular e na proteção jurídica de quem entra em campo.

A Lei Geral do Esporte reconhece a profissionalidade pela atividade remunerada e habitual. Portanto, quem vive do futebol é profissional. O gênero de quem joga não pode servir como desculpa para negar direitos.

Que a Copa de 2027 seja mais do que festa. Que seja o ponto de virada para acabar com o falso amadorismo. Profissionais, elas já são. Falta o futebol brasileiro reconhecer.

canal whatsapp banner

Compartilhe:
sobre
Futebol Feminino
Futebol Feminino

Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.