A bola agora é delas
11/07/2026

Com a eliminação da Seleção Brasileira masculina na Copa do Mundo de 2026, o futebol nacional passa a procurar seu próximo grande evento. E ele já tem nome, local e enorme potencial: a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil.

A mudança de foco já começa a aparecer. Imprensa, patrocinadores e empresas tendem a direcionar seus projetos para a competição que reunirá as melhores seleções do mundo em nosso país, algumas já estão colocando em prática essa mudança de foco. Isso é excelente para o futebol feminino, porque aumenta sua exposição, amplia o interesse do público e, principalmente, coloca mais dinheiro em circulação.

Parte desses recursos poderá chegar aos grandes clubes por meio de patrocínios, campanhas publicitárias e novos contratos, possibilitando melhoria de salários e nas instalações. Mas o impacto não precisa ficar restrito às equipes profissionais.

A Copa também pode fortalecer projetos de formação e inclusão, como o Daminhas da Bola, o Instituto Emunah no Rio de Janeiro, o Atlético Catarinense ou ainda o projeto de futebol feminino em Itapira, que tem a jogadora Jujuba como madrinha e incentivadora.

Com a Seleção em evidência e o torneio sendo realizado dentro de casa, é natural que mais meninas passem a desejar jogar futebol. As famílias poderão procurar escolinhas, projetos sociais e centros de treinamento com maior frequência.

Quanto maior a procura, pela iniciação no futebol, maior também será a necessidade de estrutura, profissionais qualificados, materiais esportivos e espaços adequados para receber essas futuras atletas.

O movimento pode alcançar ainda o futebol praticado apenas por diversão; sim, mulheres também gostam de jogar bola por lazer, pela resenha, pelo churrasco depois de correr atrás da bola. Mais mulheres poderão buscar horários para jogar com as amigas, ou até para fazer novas amizades por meio da bola.

Assim, quadras e centros esportivos terão a oportunidade de criar horários, turmas e condições especiais para o público feminino.

Também existe espaço para academias que utilizem o futebol como atividade física, treinamento funcional ou ferramenta de integração, como o caso do Tamanca em São Paulo. Nem toda mulher que entrar em campo desejará ser atleta profissional, mas todas poderão se aproximar do esporte e ajudar a ampliar esse mercado.

Até o encerramento da Copa de 2027, o futebol feminino brasileiro viverá uma janela rara de visibilidade e relevância. A oportunidade está criada. Resta saber se clubes, empresas, imprensa, projetos sociais e gestores saberão transformá-la em crescimento permanente.

A bola da vez é a Copa feminina. E o Brasil não pode desperdiçar esse momento. E espero, depois da Copa, poder falar de mais projetos e iniciativas de futebol feminino pelo país todo, que já existem hoje, mas eu ainda não conheço.

canal whatsapp banner

Compartilhe:
sobre
Futebol Feminino
Futebol Feminino

Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.