quarta-feira, 13 de maio de 2026
Nota oficial de Flávio Bolsonaro sobre áudio do Banco Master racha o PL e faz Zema dar as costas ao bolsonarismo: “Imperdoável”
13/05/2026 18:03
Redação ON Reprodução

A nota divulgada nesta quarta-feira pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em resposta aos áudios e mensagens revelados pelo The Intercept Brasil não conseguiu conter a crise política dentro do próprio bolsonarismo. No texto, preparado em conjunto com o PL, Flávio tenta convencer o público de que a conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se resume a “um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai”. Ele ainda afirma que não houve “um centavo de dinheiro público” nem uso da Lei Rouanet.

No entanto, a justificativa foi recebida com ceticismo até mesmo entre aliados históricos. O jornalista Rodrigo Constantino, reconhecido por sua posição alinhada ao bolsonarismo “de quatro costados”, publicou uma nota seca e arrasadora em suas redes sociais. “Espero que essa fala, esse áudio de Flávio Bolsonaro, seja falso, porque se for verdadeiro, acabou”, escreveu Constantino, evidenciando o mal-estar que começa a corroer as bases do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O mal-estar, porém, não se restringe a comentaristas. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência e figura que já circulou com desenvoltura no ambiente bolsonarista, deu um passo além e resolveu “dar as costas” publicamente ao senador. Em declaração à imprensa, Zema foi incisivo:

“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando o dinheiro do Vorcaro é imperdoável, é um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil.”

A fala de Zema carrega um simbolismo importante. Ao equiparar a conduta de Flávio às práticas que o bolsonarismo sempre atribuiu ao petismo, o ex-governador do Novo sinaliza um distanciamento estratégico — e talvez definitivo — do campo liderado por Jair Bolsonaro.

Por dentro do PL, a situação também não é tranquila. Segundo apurou a reportagem, há integrantes da legenda que se mostraram reticentes com a nota oficial, considerando-a insuficiente para estancar o desgaste. A avaliação é que o episódio expõe um problema de narrativa que nem a convocação de uma CPI do Banco Master — sugerida por Flávio no final da nota — conseguirá resolver rapidamente.

Enquanto isso, o senador fluminense tenta sobreviver politicamente ao que seus críticos internos já chamam de “efeito dominó”. Resta saber se o “filho procurando patrocínio para o filme do pai” será capaz de convencer um eleitorado que, cada vez mais, cobra coerência entre o discurso anti-sistema e as práticas de bastidor.

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