A queda abrupta de Edvaldo Neto, prefeito eleito em Cabedelo (e o seu vice Evilásio Cavalcante) abriu uma nova frente de especulação política na cidade – e ela gira em torno de um nome: Walber Virgulino. Segundo colocado na eleição suplementar do último domingo, o candidato do PL passou a ser cogitado por aliados e eleitores como possível herdeiro direto do cargo. Mas não é bem assim.
Especialistas ouvidos pelo portal O Norte Online são categóricos: o segundo colocado não assume automaticamente em um caso como este. A legislação eleitoral brasileira não prevê esse tipo de “virada de mesa” com base apenas no afastamento do vencedor. Para que isso acontecesse, seria necessário um cenário muito mais extremo, como a cassação definitiva da chapa com anulação de votos – algo que está longe de ocorrer neste momento.
O que houve até agora é um afastamento cautelar, dentro de uma investigação criminal. Ou seja, a eleição continua válida, e o resultado das urnas segue de pé, pelo menos por enquanto. Isso impede qualquer ascensão automática de quem ficou em segundo lugar, por mais tentadora que essa hipótese pareça no calor da crise.
Na prática, o comando da cidade deve seguir o rito institucional: com prefeito e vice fora, a cadeira tende a ser ocupada interinamente pelo presidente da Câmara Municipal, vereador José Pereira (Avante). É ele quem assume até que a Justiça defina os próximos passos.
Mesmo assim, o episódio embaralha completamente o tabuleiro político local. A eleição mal terminou e já entrou em suspensão prática. A população votou, escolheu, e em menos de 48 horas viu o resultado perder efetividade – o que alimenta ainda mais a sensação de instabilidade.
O clima é de tensão e expectativa. De um lado, aliados do segundo colocado observam o cenário e mantêm a narrativa de que “tudo pode acontecer”. Do outro, juristas tratam de esfriar qualquer tentativa de interpretação criativa da lei.
O fato é que Cabedelo volta a viver um roteiro conhecido: eleição, crise, afastamento e incerteza. E, mais uma vez, com a política local sendo decidida menos nas urnas e mais nos gabinetes judiciais.
