A crise política em Cabedelo ganhou um novo ingrediente — e dos mais explosivos. Menos de 48 horas depois da eleição suplementar, que terminou com a vitória de Edvaldo Neto, o afastamento do prefeito eleito abriu espaço para uma movimentação imediata da oposição. E o senador Efraim Filho decidiu ocupar esse vácuo.
Em declaração pública, Efraim não apenas reagiu à Operação Cítrico, como também elevou o tom ao sugerir, na prática, uma revisão do resultado das urnas. Ao lado do candidato derrotado, Walber Virgulino, ele passou a defender uma saída que, na leitura de aliados, poderia levar à anulação da eleição e, por consequência, beneficiar o segundo colocado.
A fala vem carregada de contexto político. Durante a campanha, o grupo de Walber sustentou o discurso de enfrentamento ao crime organizado e ao uso da máquina pública. Agora, com o prefeito eleito afastado sob investigação, Efraim tenta transformar a narrativa eleitoral em argumento jurídico e político.
“A operação trouxe um impacto muito forte e reforça a necessidade de medidas urgentes. A Justiça precisa agir”, disse o senador, ao associar diretamente o resultado da eleição ao cenário revelado pela investigação.
O problema é que, fora do campo político, o caminho não é tão simples.
Especialistas em direito eleitoral são diretos: o afastamento cautelar de um prefeito não anula automaticamente a eleição, nem abre espaço para a posse do segundo colocado. Para que isso aconteça, seria necessário um desfecho judicial mais profundo, como a cassação definitiva da chapa e a invalidação dos votos — algo que ainda está longe do cenário atual.
Na prática, o que prevalece é o rito institucional. Com prefeito e vice afastados, a tendência é que o comando da cidade fique, de forma interina, com o presidente da Câmara Municipal, até que a Justiça tome uma decisão definitiva.
Mas, no calor da crise, o debate jurídico divide espaço com a disputa política.
A movimentação de Efraim revela uma tentativa clara de capitalizar o desgaste do adversário e reabrir o jogo mesmo após o resultado das urnas. Do outro lado, juristas e setores mais cautelosos tratam de conter o que classificam como “interpretações criativas” da lei.
O fato é que Cabedelo mergulha novamente em um roteiro que parece se repetir: eleição, suspeita, intervenção judicial e disputa pelo poder fora das urnas.
E, desta vez, com um agravante — a eleição acabou, mas a briga pelo comando da cidade está só começando.