sexta-feira, 24 de julho de 2026
“Cabedelo virou símbolo de um problema maior”, diz coordenador do Gaeco após operação
14/04/2026 10:38
Redação ON Reprodução

A fala do coordenador-geral do Gaeco, Octávio Paulo Neto, à Rádio Arapuan, após a operação deflagrada nesta terça-feira,  em Cabedelo, reforça que o caso investigado vai além de um suposto esquema de corrupção localizado e acende um alerta sobre o avanço de facções criminosas em municípios paraibanos.

Ao comentar a ofensiva conjunta, o promotor afirmou que a ação é resultado de um esforço integrado entre várias instituições e destacou que o trabalho está apenas começando. Segundo ele, a preocupação das autoridades não se limita aos indícios de improbidade e ilegalidade, mas principalmente à expansão de grupos criminosos dentro de estruturas públicas municipais.

Na avaliação de Octávio Paulo Neto, Cabedelo vive um quadro “muito singular”, marcado por instabilidade política e por um contexto já conhecido de influência do crime organizado sobre o território. Ele ressaltou que o município acumula fatores que exigem atenção especial dos órgãos de persecução, entre eles o crescimento da violência e a presença de uma facção com predominância de atuação local.

O coordenador do Gaeco também deixou claro que a missão das forças de investigação é atingir o núcleo de comando desses esquemas, mirando aquilo que chamou de “a cabeça do sistema”. A declaração sugere que a operação não deve se encerrar nas medidas já executadas nesta terça-feira e pode abrir novos desdobramentos.

A Operação Cítrico foi deflagrada pelo Gaeco, pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. De acordo com o Ministério Público da Paraíba, a investigação apura a suposta atuação de uma organização criminosa voltada à fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de facção criminosa com atuação em Cabedelo. O caso também levou ao afastamento do prefeito recém-eleito e de outros servidores públicos. 

Conforme a apuração oficial, o grupo investigado teria usado contratos de fornecimento de mão de obra para favorecer empresas ligadas à facção Tropa do Amigão, apontada como braço do Comando Vermelho, com infiltração de integrantes em estruturas da prefeitura. Ainda segundo os investigadores, os contratos públicos teriam sido usados como instrumento de poder, influência territorial e blindagem institucional.  

Na prática, a fala de Octávio Paulo Neto dá à operação um peso político e institucional ainda maior: mais do que investigar irregularidades administrativas, o foco declarado é impedir que o crime organizado transforme prefeituras em áreas de influência permanente. Ao afirmar que “as questões não ficam restritas a Cabedelo”, o promotor sinaliza que o cerco pode alcançar outros municípios paraibanos.

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