Cabedelo parece presa a um ciclo que não se encerra. Poucos dias depois de uma eleição suplementar convocada justamente após a queda de um prefeito por corrupção, o município volta ao noticiário pelo mesmo motivo: o gestor recém-eleito já foi afastado do cargo.
A decisão ocorre no contexto da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público da Paraíba e a Controladoria-Geral da União. A investigação aponta a existência de uma organização criminosa com atuação dentro da estrutura da prefeitura, envolvendo fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e ligação com facção criminosa.
Segundo as apurações, o esquema teria utilizado contratos de fornecimento de mão de obra para beneficiar empresas ligadas à facção conhecida como “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho. A suspeita é de que integrantes do grupo tenham se infiltrado na máquina pública para garantir influência, proteção institucional e acesso a contratos milionários.
O dado mais alarmante é o volume financeiro sob investigação: cerca de R$ 270 milhões em recursos públicos que teriam sido desviados ou direcionados para atividades ilícitas.
O novo afastamento reforça uma sequência de escândalos que transformou Cabedelo em símbolo de instabilidade política. A eleição realizada no último domingo deveria marcar um recomeço administrativo após a saída do gestor anterior, mas o que se vê é a repetição de um padrão que parece se perpetuar.
Entre a expectativa de renovação e a realidade das investigações, o município vive mais um capítulo de desgaste institucional, onde a troca de nomes não tem sido suficiente para interromper o ciclo de crises.