Sim, eles contrataram uma profissional competente, não fizeram uma simples ação de marketing, para que o nome do clube fosse divulgado.
A Marie-Louise Eta, alemã de 34 anos, foi anunciada interinamente para comandar o Union Berlin e, com isso, se tornou a primeira mulher a assumir um time masculino nas cinco principais ligas da Europa. O dado é histórico, mas, no caso dela, não explica tudo.
Eita, não chega por acaso ao comando da equipe masculina. Ex-jogadora, construiu sua trajetória dentro do futebol de forma contínua, passando por clubes competitivos e, depois, migrando para a formação de atletas. Trabalhou nas categorias de base da Alemanha e desenvolveu um perfil que hoje é cada vez mais valorizado: organização tática, leitura de jogo e capacidade de adaptação.
No Union, o caminho foi interno. Assumiu o sub-19, entendeu o ambiente, o modelo de jogo e a cultura do clube. Não é uma aposta externa ou uma solução improvisada. É alguém que já estava ali, pronta para o próximo passo.
E o contexto não é confortável. O time precisa de resposta imediata na Bundesliga, em uma reta final que cobra resultado, não discurso.
E o contexto é o que mais diz sobre a escolha. Ela assume um time pressionado, com necessidade imediata de resultado na Bundesliga. Não há espaço para discurso. É desempenho.
Esse movimento de buscar a competência do integrante da comissão técnica, e não seu gênero, dialoga com o que já começa a acontecer também no Brasil. A auxiliar técnica Nívia de Lima se tornou a primeira mulher a ocupar essa função na Série A, atuando pela Chapecoense, o que indica que essa situação em breve deixará de ser uma exceção.
E talvez esse seja o ponto central: o futebol, pouco a pouco, começa a entender que função não tem gênero. Mulheres já começam a atuar no masculino, assim como homens atuam há anos, no futebol feminino. O que define espaço não é identidade, é capacidade.
bom dia