O futebol brasileiro tem um adversário que nem sempre aparece na tabela, mas entra em campo toda rodada: as viagens, a famosa logística.
Um exemplo é o jogo entre Penarol, do Amazonas, e Pantanal SAF, do Mato Grosso do Sul, pelo Brasileiro Feminino A3, disputado em Itacoatiara, o placar terminou empatado em 1 a 1. Mas, para além do resultado, o caso ajuda a mostrar uma realidade comum em competições nacionais no Brasil.
A equipe visitante precisou enfrentar uma verdadeira maratona para voltar para casa. Deslocamento longo, conexão, aeroporto de madrugada, pouco sono, espera, novo embarque. Não é apenas uma viagem. É desgaste acumulado, que também retira a possibilidade de estar com a sua família, em sua casa.
E esse problema não é exclusivo do futebol feminino. Também acontece no masculino, especialmente com clubes fora dos grandes centros. O tamanho continental do Brasil, somado à falta de voos diretos entre muitas cidades que não passam pelo eixo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, faz com que viajar para jogar seja, muitas vezes, quase uma segunda partida.
O impacto disso, no campo de jogo, é real. A equipe visitante chega mais cansada, dorme menos, treina pior, recupera menos e ainda compromete parte da semana seguinte de preparação. Em campeonatos longos, esse desgaste pode afetar o desempenho, a condição física das atletas e até a regularidade das equipes.
Por isso, logística não pode ser tratada como detalhe administrativo. Ela faz parte da competição. Quando uma equipe precisa cruzar o país em condições complicadas para jogar e voltar, isso também interfere no futebol que será apresentado em campo.
No Brasil, muitas vezes, antes de vencer o adversário, é preciso ganhar a viagem. Talvez por isso, para a nossa realidade, o melhor fosse efetivamente o sistema de mata-mata, com jogos de ida e volta, provocando o mesmo desgaste para as equipes em partidas decisivas, pois, se não, quem está fora dos grandes centros sempre se desgasta mais.