A recente declaração do técnico do Internacional, Ramón Díaz, acontecida no pós-jogo, em 8 de novembro de 2025, comentando o empate de 2 a 2 contra o Bahia ao afirmar que “o futebol é para homens, não é para meninas”, foi profundamente desrespeitosa com as suas colegas de trabalho.
O mais grave é que a fala parte de um profissional vinculado a um clube que também possui uma equipe feminina de futebol, reconhecida nacionalmente por sua qualidade e competitividade. O que é fazer com que ao menos deva as encontre nos corredores.
Ao dizer isso, o treinador não apenas pode ter ofendido mulheres em geral, mas, sobretudo, o fez com as próprias colegas de trabalho que integram o departamento de futebol do Internacional. Pois, se existe divisão interna entre futebol feminino e masculino, esta serve apenas para tentar facilitar a organização do trabalho.
É importante lembrar que, sendo ele empregado trata-se de alguém que mantém relação profissional com a instituição, e com as atletas do feminino. E nenhuma pessoa pode desrespeitar colegas de trabalho sem consequências internas.
No ambiente esportivo, como em qualquer outro, prevalecem regras de convivência profissional baseadas na dignidade e no respeito mútuo.
Declarações como essa não são apenas infelizes, elas configuram, em tese, uma verdadeira ofensa moral, não um mero dissabor, e podem ensejar responsabilidade civil do empregador, que responde pelos atos de seus prepostos no exercício da função.
O futebol é um espaço de inclusão e de igualdade, e o respeito às mulheres que dele participam é requisito indispensável para o desenvolvimento ético e profissional do esporte brasileiro.
Falei da questão sob a ótica trabalhista, pois, até agora, parece que ninguém lembrou deste aspecto: o assédio moral entre colegas de trabalho, colocando as jogadoras como empregadas de menor importância para a instituição, pode ter consequências para o clube