
Há pessoas que nascem numa terra e partem pelo mundo. Outras ficam para guardar as raízes, preservar as lembranças e manter acesa a chama da família. Minha irmã e madrinha Nininha Lucena pertence a essa segunda categoria. É o sal da terra, a sentinela das nossas origens, a guardiã do chão onde aprendemos a viver.
Dos filhos de Miguel Vicente de Lucena e Emília Florentino de Lucena, Nininha foi a única que não arredou os pés de Princesa, no Sertão da Paraíba. Enquanto uns ganharam as estradas, atravessaram fronteiras e foram construir a vida em outras paragens, ela permaneceu ali, firme como as pedras da serra, resistente como o mandacaru, generosa como a chuva que cai depois de uma longa estiagem.
Princesa não é uma terra qualquer. É chão de gente valente, que enfrentou secas, perseguições, guerras, injustiças e toda sorte de adversidades. Um povo que aprendeu a transformar sofrimento em coragem, escassez em solidariedade e esperança em instrumento de sobrevivência.
Nossa família tem suas raízes fincadas nessa história. Carregamos no sangue a bravura dos antepassados, a dignidade dos que nunca se renderam e a memória dos que partiram deixando exemplos. Nossa mãe, Emília, e nosso pai, Miguel, nos ensinaram que a maior riqueza de uma família não está nos bens que acumula, mas na honra que preserva e no amor que distribui.
Nininha é a continuidade viva desses ensinamentos. É o nosso endereço sentimental em Princesa. Quando pensamos na terra natal, pensamos também nela. É como se, permanecendo ali, tivesse assumido a missão silenciosa de representar todos nós, os que saímos, mas nunca conseguimos arrancar Princesa do coração.
Na fotografia, de braços abertos diante dos arranha-céus de Nova York, Nininha parece abraçar o mundo. Mas conheço a força das suas raízes: por mais longe que viaje, seu coração continua morando no Sertão. Pode contemplar os edifícios mais altos da Terra, mas nenhuma paisagem supera, para nós, as serras, as ruas e as lembranças de Princesa.
Hoje, no seu aniversário, quero abraçá-la com a ternura do irmão e a gratidão do afilhado. Agradecer por sua existência, por sua presença e por representar tão bem a nossa família e a nossa gente.
Porque o mundo pode ser grande, mas é em Princesa que começa a nossa história. E enquanto Nininha estiver lá, haverá sempre uma luz acesa, uma raiz viva e um pedaço de cada um de nós esperando a volta.
Parabéns, minha irmã, minha madrinha, minha querida Nininha! Você é o sal da nossa terra, o orgulho da nossa família e uma das mais belas expressões do amor que nos une.