
Na política, nada é inteiramente inocente quando vira símbolo. Por isso chamam atenção a tiara de flores e o chicote empunhado pela deputada Julia Zanatta, identificada com a direita radical.
Flores na cabeça podem sugerir delicadeza, tradição ou uma estética europeia antiga. Mas, combinadas com um relho nas mãos, produzem outra imagem: flor e castigo, ornamento e ameaça.
O chicote tem peso histórico muito mais evidente. No Brasil escravista, foi instrumento de suplício, submissão e terror contra pessoas escravizadas. Por isso, quando aparece como adereço político, desperta inevitavelmente memórias incômodas.
Talvez a intenção seja apenas provocar. Mas símbolos falam além das intenções de quem os escolhe. E, na política, quem empunha um chicote não pode reclamar quando alguém pergunta quem deverá sentir a chibatada.