* Por Higor Maffei Bellini
A brincadeira sobre o time masculino do Corinthians ter “acesso negado” à sede da Conmebol, no Paraguai, por não possuir a tradição que outros clubes exibem na Libertadores, só existe porque ainda insistimos em separar, de forma conveniente, duas histórias que pertencem à mesma camisa.
O Corinthians entra em campo com a sua camisa. E essa camisa não é apenas a dos homens que disputam o torneio continental desde 1960. Ela também é vestida pelas Brabas, que construíram uma trajetória tão ou mais vitoriosa na Libertadores. No futebol feminino, o Corinthians é o maior campeão da competição. Não há discussão possível sobre isso.
São títulos, campanhas marcantes, decisões e uma presença continental que ajudou a elevar o patamar do futebol feminino sul-americano. A camisa corintiana, quando vestida pelas Brabas, não pede licença para entrar na Libertadores. Ela já chegou, venceu, voltou e venceu de novo.
Por isso, é curioso observar como parte das pessoas que se apresenta como defensora do futebol feminino esquece esse dado quando a piada envolve a tradição do clube. A graça, para alguns, parece depender de ignorar que a história esportiva não se divide conforme o gênero de quem joga.
Claro que o futebol masculino e o feminino têm trajetórias próprias, calendários próprios e competições próprias. Ninguém precisa fingir que são a mesma coisa. Mas o clube é o mesmo. O escudo é o mesmo. A torcida é a mesma. E os títulos também integram a memória que cada instituição constrói.
Quando se fala em Libertadores, o Corinthians feminino não tem acesso negado. Tem entrada livre, cadeira cativa e lugar de destaque. As Brabas não apenas participam da história da competição: elas ajudaram a escrevê-la.
Talvez esteja na hora de entender que reconhecer isso não é favor, militância ou exagero. É apenas respeitar o que aconteceu dentro de campo.