* Por Higor Maffei Bellini
O Bahia está na semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino. A classificação veio em Barueri, diante do Palmeiras, na noite de sexta-feira 4 de setembro de 2026, após empate por 1 a 1 no tempo normal e vitória por 5 a 4 nos pênaltis. Mais do que uma simples vaga, para o clube baiano, o resultado tem um significado importante para o futebol feminino brasileiro.
As Mulheres de Aço saíram atrás no placar, buscaram o empate com Dan Nunes e mostraram tranquilidade na disputa decisiva. As cinco cobranças do Bahia foram convertidas. Yanne defendeu o pênalti de Tainá Maranhão e se tornou um dos grandes nomes de uma noite que já ocupa lugar especial na história do clube e do futebol brasileiro.
É a primeira vez que uma equipe nordestina chega à semifinal do Brasileirão Feminino. E, em um campeonato que, por sua fase de pontos corridos, tantas vezes é chamado de chato, a noite foi duplamente histórica. Isso merece ser celebrado para além da festa baiana. O campeonato se fortalece quando deixa de ter seu foco restrito aos clubes do Sul e do Sudeste e passa a mostrar que há trabalho, talento, torcida e capacidade competitiva em outras regiões do país.
Um torneio nacional só é verdadeiramente nacional quando suas histórias, seus clubes e suas possibilidades de título não ficam concentrados em poucos estados. A presença do Bahia entre as quatro melhores abre espaço para que meninas do Nordeste enxerguem um caminho mais próximo, para que clubes invistam com mais segurança e para que a imprensa olhe com mais atenção para o que é construído longe dos centros habituais.
O torcedor baiano tem, sim, o direito de sonhar com mais um título brasileiro. No futebol masculino, o Bahia foi campeão nacional em 1988, embora a final contra o Internacional tenha sido disputada em fevereiro de 1989. Agora, as Mulheres de Aço podem escrever uma página própria, com a mesma força simbólica: a de um clube nordestino mostrando que também pode chegar ao topo do país.
A classificação ainda não é o título, evidentemente. Mas é um passo que muda o tamanho do sonho e ajuda a tornar o Brasileirão Feminino mais brasileiro.
