*Por Higor Maffei Bellini
Eu iria falar sobre uma triste realidade do futebol feminino brasileiro: a dispensa de jogadoras assim que termina o Campeonato Brasileiro para algumas equipes. Muitos clubes preferem disputar os estaduais com times Sub-20 ou até Sub-17, mantendo poucas atletas do elenco principal, principalmente por uma questão de custos.
Mas deixo esse assunto para a próxima semana.
Mudei de ideia ao vir tomar aquele café da tarde na casa da minha mãe, a Dona Edna,uma tradição da minha família. Em meio à conversa, ela soltou uma frase simples: o bom do Campeonato Brasileiro Feminino são os jogos de mata-mata, porque dão mais emoção.
E ela tem razão.
Essa diferença entre as formas de disputa dos principais campeonatos de homens e mulheres no Brasil é interessante, principalmente para os torcedores dos clubes que chegam à fase decisiva. O mata-mata cria expectativa, aumenta a emoção e dá ao torcedor uma razão a mais para sair de casa e ir ao estádio.
Há uma diferença enorme entre sair de casa sabendo que o seu time disputa uma partida decisiva, em que uma classificação ou eliminação pode acontecer naquela tarde, e ir a um jogo que vale apenas mais três pontos na tabela ou, em alguns casos, quando boa parte do campeonato já está praticamente definida.
O mata-mata cria histórias. Cria tensão durante a semana, conversa entre amigos, expectativa nas arquibancadas e aquela sensação de que cada lance pode mudar tudo. Para quem acompanha futebol, isso tem um valor enorme.
Claro que o formato também tem seus problemas. Para os clubes, principalmente aqueles com menos recursos, não saber exatamente até quando a temporada vai durar dificulta o planejamento financeiro, a organização do elenco e até a elaboração do calendário.
Existe, portanto, uma discussão importante sobre qual modelo é melhor esportiva e financeiramente.
Mas, olhando pelo lado de quem está na arquibancada, o mata-mata tem algo especial.
E talvez seja importante lembrar disso quando discutimos os caminhos para o crescimento do futebol feminino. Porque campeonatos precisam ser sustentáveis para os clubes e bons para as atletas, mas também precisam despertar paixão em quem acompanha.
Afinal, sem torcida, não existe razão de ser para clubes ou campeonatos.
