João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
A Libertadores Feminina e a força dos clubes brasileiros
15/09/2026

*Por Higor Maffei Bellini

A taça Libertadores Feminina de 2026 será disputada entre 15 e 31 de outubro, em Quito, no Equador, no sistema de sede única, e terá novamente três representantes brasileiros: Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras. A presença de três clubes do Brasil não é uma circunstância qualquer. Ela decorre de uma realidade que o futebol feminino sul-americano já reconhece há algum tempo: quando se fala em futebol de clube clubes, com equipes femininas, o Brasil construiu uma hegemonia continental.

O Corinthians, atual campeão, entra na competição em busca de seu quarto título consecutivo e do sétimo troféu de sua história. É uma marca que ajuda a explicar o tamanho da distância que o clube abriu na América do Sul. O Palmeiras já levantou a taça em 2022. A Ferroviária tem duas conquistas, o São José possui três, o Santos também marcou época no torneio e o Audax conquistou a Libertadores de 2017, em campanha realizada em parceria com o Corinthians.

Em 2026, o Corinthians estará no Grupo A, ao lado de Colo-Colo, do Chile, Caracas, da Venezuela, e do vice-campeão colombiano. É um grupo que chama atenção pela tradição do adversário chileno e pela expectativa em torno da definição da vaga colombiana, mas as Brabas chegarão como o time a ser batido.

O Palmeiras estará no Grupo B, com Independiente del Valle, Belgrano e Universitario. Talvez seja a chave que mais exija adaptação imediata das brasileiras. O Independiente del Valle joga em casa, em Quito, e a altitude é um elemento que não pode ser tratado como detalhe, talvez posa ser chamado como melhor a atleta do time local. Ela interfere no ritmo, na recuperação, na intensidade e, principalmente, na preparação dos clubes que vêm de outras realidades geográficas.

Já o Cruzeiro integra o Grupo C, com LDU Quito, Bolívar e Olimpia. É uma chave em que o clube mineiro tem condições concretas de avançar, mas enfrentará adversários acostumados a jogos de características físicas diferentes. Em uma competição curta, com fase de grupos em turno único e mata-mata decidido em partida única, uma tarde ruim pode ser suficiente para encerrar o caminho de qualquer equipe.

No futebol de clubes, o Brasil está à frente. Há mais estrutura, maior capacidade de atrair jogadoras, campeonatos mais consolidados, investimento de clubes tradicionais e uma base que, apesar de ainda precisar de muito mais atenção, é superior à de boa parte do continente. Não se trata de dizer que o caminho está concluído. Não está. A desigualdade salarial, a precariedade de muitos projetos e a instabilidade de contratos continuam sendo problemas sérios no futebol feminino brasileiro.

Mas a Libertadores de 2026 mostra que existe algo construído. Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras chegam com responsabilidades diferentes, trajetórias próprias e desafios específicos. Ainda assim, todos carregam a expectativa de um país que transformou seus clubes nas principais forças da América do Sul.

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