Por Higor Maffei Bellini
Já escrevemos aqui sobre o Dia das Mães e o futebol feminino, especialmente pensando nas atletas que são mães e precisam conciliar a carreira com a maternidade. Mas ainda não havíamos falado sobre futebol feminino e Dia dos Pais. E essa é uma falha.
Afinal, muitas histórias de jogadoras começam justamente com seus pais.
São eles que, muitas vezes, compram a primeira chuteira, levam a menina para treinar, esperam o treino terminar e atravessam a cidade para acompanhar um jogo. No futebol feminino isso tem um significado ainda maior. Muitas atletas começaram quando jogar futebol ainda era uma escolha muito mais difícil para uma menina. Ter um pai dizendo “vai jogar” podia fazer toda a diferença.
Existem também aquelas que descobriram o futebol seguindo o próprio pai. Primeiro foram aos campos para vê-lo jogar e, algum tempo depois, eram elas que estavam entrando em campo. Pode ser a filha de um jogador profissional ou aquela menina que passava o domingo assistindo ao pai no time amador do bairro.
Um desses pais, entre tantos, é Eliezer, mais conhecido como Gordinho, pai da zagueira Erika Cristiano, a famosa Erika, que há tantos anos defende as Brabas. Eu o encontro com frequência nos estádios, sempre torcendo e apoiando a filha em campo. É uma imagem que diz muito: a menina cresceu, tornou-se uma das grandes jogadoras do nosso futebol, mas o pai continua ali, na arquibancada.
Só que existe outro lado dessa relação.
O futebol cobra ausências.
Enquanto muitas famílias estarão reunidas neste Dia dos Pais, haverá atletas treinando, viajando, concentradas ou jogando. Algumas estarão longe dos próprios pais. Outras, já mães, estarão distantes de casa enquanto o marido passa a data com a filha ou o filho do casal.
E aqui futebol masculino e feminino se encontram.
Para quem trabalha com futebol, o calendário não conhece Dia das Mães, Dia dos Pais, aniversários ou outras datas reservadas à família. O jogo precisa ser jogado. O treino acontece. O avião parte. A concentração começa.
Por isso, neste Dia dos Pais, quando olharmos para uma jogadora em campo, vale lembrar que existe uma história fora das quatro linhas. Talvez exista um pai na arquibancada que ajudou aquela menina a chegar até ali.
O futebol realiza sonhos. Mas também cobra o preço de algumas ausências.
Feliz Dia dos Pais.