* Por Higor Maffei Bellini
A transferência de Kerolin do Manchester City para o Barcelona pode gerar dinheiro para os clubes que participaram da formação da jogadora brasileira.
Isso acontece por meio do mecanismo de solidariedade da FIFA. A regra determina que parte do valor de uma transferência internacional seja repartida entre os clubes nos quais a atleta esteve oficialmente registada dos 12 aos 23 anos.
Como o Barcelona pagará ao Manchester City pela contratação, a transferência é considerada onerosa. Caso o valor divulgado de 1,5 milhão de euros seja confirmado, cerca de 75 mil euros, correspondentes a 5% da negociação, serão destinados ao mecanismo de solidariedade.
Esse dinheiro não será entregue a apenas um clube. O valor será dividido de acordo com o histórico oficial de Kerolin e com o tempo que ela permaneceu registada em cada instituição durante o período de formação.
A FIFA utiliza o passaporte desportivo da jogadora para identificar os clubes beneficiários. Por isso, não basta uma instituição afirmar que ajudou a formar a atleta. É necessário que a passagem da jogadora esteja registada oficialmente.
O caso de Kerolin mostra a importância de os clubes investirem na base do futebol feminino. Além de desenvolver novas atletas, esse trabalho pode gerar recursos no futuro, quando uma jogadora participa de uma transferência paga.
A situação também serve de alerta para os projetos sociais que descobrem talentos, oferecem treinos e acompanham meninas no início das suas trajetórias. Muitos desses projetos realizam um trabalho essencial, mas não possuem estrutura para registar atletas oficialmente.
Por isso, é importante que se organizem, mantenham documentos e estabeleçam parcerias formais com clubes reconhecidos. Os acordos devem deixar claro como o trabalho do projeto será reconhecido e como possíveis valores futuros serão repartidos.
Perante a FIFA, o pagamento será feito aos clubes que aparecem no histórico oficial da atleta. Sem registo ou parceria formal, um projeto social pode não receber qualquer valor, mesmo tendo participado da formação da jogadora.
O mecanismo de solidariedade da FIFA pode transformar grandes transferências em novos investimentos na formação de meninas. Para isso, o trabalho de base precisa de organização, documentação e parcerias transparentes.