sexta-feira, 5 de junho de 2026
CBF marca para sábado dois amistosos e esconde o feminino
05/06/2026

A CBF, entidade responsável por organizar o futebol brasileiro, seus campeonatos e sua TVs seleções, conseguiu se atrapalhar justamente em um momento em que deveria demonstrar planejamento e cuidado com o futebol brasileiro.

Neste sábado, 6 de junho, o Brasil terá dois amistosos envolvendo suas seleções principais praticamente no mesmo horário.

De um lado, a Seleção Feminina enfrenta os Estados Unidos, em solo brasileiro, contra uma das maiores potências, jogo que por si só merece toda a cobertura possível. Do outro, a Seleção Masculina também entra em campo, como preparativo para a Copa do Mundo de 2026, que já inicia no próximo sábado, contra o Egito.

O resultado desta sobreposição de agendas é previsível: a grande mídia, como quase sempre acontece, volta seus olhos quase exclusivamente para os homens.

Isso acontece pois, às 18h30, a Seleção Feminina enfrenta, na Neo Química Arena, em São Paulo. Apenas 30 minutos depois, às 19h, a Seleção Masculina entra em campo, nos Estados Unidos. Ou seja, dois jogos da Seleção Brasileira, no mesmo dia, separados por meia hora, causando confusão na agenda do torcedor.

E aí fica a pergunta: como valorizar o produto futebol feminino se a própria entidade que deveria promovê-lo cria uma concorrência direta com a Seleção Masculina?

Valorizar não é apenas fazer discurso bonito, levar a comissão na convocação da Copa masculina, publicar campanha nas redes sociais ou dizer que apoia.

Valorizar passa por estratégia. Passa por escolher datas e horários que permitam ao torcedor assistir ao jogo, acompanhar a repercussão, consumir o pós-jogo e participar do debate.

Ao colocar as duas partidas praticamente juntas, a CBF obriga o público a escolher. E, nesse cenário, quem sai prejudicado é o futebol feminino, que ainda luta por espaço, visibilidade e respeito.

O jogo do femino deveria ser tratado como um grande evento. Mas, mais uma vez, parece que o futebol feminino foi colocado em segundo plano. Não por falta de qualidade dentro de campo, mas por falta de atenção fora dele, que faz o torcedor escolher quem deseja ver

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Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.