Em meio à polêmica alimentada por declarações infelizes sobre a “invasão” de estrangeiros no futebol nacional, com foco no masculino, que surgiu nessa primeira semana de novembro, é importante lembrar que o futebol feminino brasileiro tem exportado treinadores de alto nível, mostrando que competência não tem nacionalidade, mas sim trabalho, dedicação e resultados.
Um exemplo atual é Ricardo Belli, que assumiu a seleção feminina da Venezuela em 2025 e vem desempenhando um trabalho sólido e respeitado.
Outro nome relevante é o de Marcelo Frigério, o “Tchelo”, que já comandou as seleções femininas da Guiné Equatorial em uma Copa do Mundo e do Paraguai, além de ter dirigido recentemente o tradicional Pumas UNAM, no México.
E temos Cris Lessa, treinadora que é brasileira e que há anos trabalha nos Estados Unidos, país em que vive, fazendo excelente serviço, ensinando futebol no país que tem uma vasta lista de conquistas no futebol feminino, sendo para o feminino o que é o Brasil para masculino.
Essa troca é benéfica para todos: nossos técnicos ganham repertório internacional, e os países que os recebem se beneficiam do DNA técnico e da criatividade brasileira.
Ao invés de ver estrangeiros como ameaça, deveríamos fortalecer nossas estruturas internas e, ao mesmo tempo, valorizar o prestígio que nossos profissionais têm fora do país.
No futebol feminino, esse movimento de ida e volta, de ensinar e aprender, é realidade.
E mostra que a discussão precisa mudar de tom: menos nacionalismo defensivo, mais intercâmbio, mais profissionalismo. O futebol, afinal, é universal e todos ganham quando experiências diferentes se encontram.