quarta-feira, 22 de julho de 2026
Atraso inadmissível no clássico feminino
14/03/2026

O caso do atraso no início de Botafogo x Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro Feminino de 2026, entrará para a história de casos curiosos do futebol brasileiro.

Esse episódio de atraso no início do jogo, causado pela chegada tardia da arbitragem, revelou uma falha grave de planejamento e organização de todos os envolvidos.

Em uma cidade como o Rio de Janeiro, em plena sexta-feira, com trânsito intenso e possibilidade de chuva, é obrigação de qualquer equipe que estará trabalhando em um jogo se antecipar. Por isso, a arbitragem, que normalmente se desloca para o estádio em carro próprio, como acontecia há alguns anos, creio que ainda é assim e também em outros esportes, precisa considerar esse cenário com antecedência e sair com margem suficiente para evitar problemas.

Imprevistos podem acontecer, mas trânsito pesado no Rio, nesse contexto, está longe de ser algo inesperado.

Justamente por isso, o episódio não pode ser tratado como simples fatalidade. O que se viu foi um constrangimento evitável, que atingiu atletas, comissões técnicas, torcedores e a imagem do próprio campeonato.

Também chama atenção a falta de ação de quem já estava trabalhando, pelas equipes e organização, na partida. Ao perceber que, no horário em que a arbitragem já deveria estar presente, a equipe ainda não havia chegado, os responsáveis no estádio precisavam ter acionado imediatamente a CBF, já que se tratava de uma competição nacional.

A solução deveria ter sido buscada antes que o relógio alcançasse o momento previsto para o início do jogo.

Uma intervenção rápida poderia ter evitado o desgaste imposto às equipes e reduzido o impacto negativo para a competição. Botafogo e Flamengo, que cumpriram seus horários normalmente, não poderiam ficar expostos a esse tipo de situação por falhas externas.

O caso deixa uma lição clara: campeonato disputado em cidade grande exige planejamento, comunicação e resposta rápida.

Quando isso não acontece, o prejuízo não é apenas logístico, mas também institucional. E no futebol feminino, que ainda busca o respeito e a valorização que merece, um episódio assim tem peso ainda maior.

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Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.