quarta-feira, 27 de maio de 2026
A Seleção de 1995 também fez história
26/05/2026

A aproximação da Copa do Mundo de 2027 já começa a trazer boas consequências para o futebol feminino brasileiro. Antes mesmo de a bola rolar, o país está sendo obrigado a olhar para trás e reconhecer mulheres que ajudaram a reconstruir uma história quase sempre esquecida.

Tramita no Congresso Nacional o PL 1.315/2026, que trata da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 no Brasil e prevê uma premiação histórica para jogadoras que defenderam a Seleção Brasileira no torneio de 1988 e na Copa do Mundo de 1991. Agora, a discussão avança para incluir também oito atletas que estiveram na Copa do Mundo de 1995, disputada na Suécia, na segunda edição da Copa do Mundo FIFA Feminina.

E isso faz todo sentido.

Essas jogadoras pertencem ao mesmo ciclo de pioneirismo. Foram mulheres que vestiram a camisa da Seleção em um tempo em que o futebol feminino ainda lutava contra a falta de estrutura, de salário, de calendário, de visibilidade e de reconhecimento. Jogar pelo Brasil, naquele período, era também uma resistir, para poder existir.

Por isso, deixar 1995 de fora, deste projeto, seria contar a história da retomada do futebol feminino pela metade. Se 1988 e 1991 merecem reconhecimento, 1995 também merece. Não por favor, mas por uma questão de justiça histórica.

A Copa de 2027 pode ser um marco dentro de campo, mas também precisa ser um marco fora dele. Reconhecer quem veio antes é uma forma de dizer que o futebol feminino brasileiro não nasceu agora,, com a imposição da FIFA, nem começou quando passou a ser televisionado.

Ele existe porque muitas mulheres insistiram em jogar quando quase ninguém via, quase ninguém pagava, e quase ninguém as reconhecia, como atletas.

canal whatsapp banner

Compartilhe:
sobre
Futebol Feminino
Futebol Feminino

Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.