O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) recebeu, nesta sexta-feira (16), a visita de um grupo de pessoas idosas do Instituto Paraibano do Envelhecimento (IPE), vinculado à Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O núcleo desenvolve ações de formação profissional, pesquisa, extensão e atividades voltadas ao envelhecimento ativo, à saúde, à autonomia e à socialização.
A programação teve início durante a sessão do Pleno do Tribunal, quando o grupo foi recepcionado pelo presidente do TRE-PB, desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos. Na ocasião, os visitantes participaram de um momento de interação, com depoimentos de integrantes do grupo e de membros da equipe gestora do programa.
Na sede do Tribunal, o grupo também visitou a Biblioteca e a Escola Judiciária Eleitoral (EJE). A programação foi concluída com uma visita ao Museu da Justiça Eleitoral: Memorial da Democracia, localizado no antigo Casarão dos Azulejos, no Centro da capital.
Em sua saudação, o presidente destacou a importância da longevidade saudável e celebrou a participação ativa das pessoas idosas na sociedade. “Sejam todos bem-vindos. Nós todos ou somos idosos ou estamos próximos de atingir essa fase da vida. Sempre prego a proatividade da pessoa idosa, a exemplo da minha mãe, de 100 anos, que foi até votar. Então, é importante essa participação cidadã. Que vivamos em plenitude, mesmo com as limitações físicas, todos os sabores de cada idade, e que esse exemplo se repita”, comentou.
A coordenadora da Escola Judiciária Eleitoral, Márcia Rafaela Queiroga, classificou a visita como um momento especial para o órgão. “Penso que este é um passo muito importante, pois permite que a sociedade compreenda melhor como a Justiça Eleitoral funciona. Como destacou o presidente, esta foi a primeira visita de um grupo de pessoas idosas ao Tribunal, o que torna o momento ainda mais especial”, declarou.
Para o chefe da Seção de Programas, Biblioteca e Memória Institucionais (SEPBMI), Diogo Barbosa, o TRE-PB, por meio da Escola Judiciária Eleitoral, tem promovido ações de cidadania para aproximar a sociedade da Justiça Eleitoral de forma democrática. “Acreditamos que esses encontros são sementes de valores democráticos que plantamos nos vários grupos que acolhemos aqui no Tribunal, seja na sede, seja no Museu. Nosso objetivo é contribuir para que essas pessoas se tornem cidadãs cada vez mais conscientes e exerçam a democracia de forma cada vez mais apropriada e amadurecida, em todos os aspectos da vida, especialmente nas eleições”, destacou.
Longevidade e participação
À frente do grupo, a assessora da coordenação das atividades para pessoas idosas do IPE, Ana Mabel Supino, descreveu a visita como um momento especial. “É um momento único para o trabalho de conscientização e sensibilização sobre a valorização da pessoa idosa realizado pelo Instituto. É a quebra de uma tradição e de um estigma, como o de que a pessoa com mais de 70 anos não vota mais. E não é assim. Enquanto há vida, é possível participar da sociedade e ser protagonista de um mundo para o qual você contribuiu por tantos anos, por meio do trabalho e da convivência social”, destacou.
No púlpito, o advogado, escritor e professor aposentado José Pereira comentou sobre a política e a participação das pessoas idosas na atualidade. “Estou muito feliz por estar presente no TRE da Paraíba e por ter vivido o suficiente para ver o fim da ditadura militar de 1964, podendo voltar a votar e a participar de encontros eleitorais. Para mim, mesmo quando o candidato em quem votamos não ganha, a maior vitória é o fato de o povo poder escolher livremente seus representantes, mantendo viva a democracia”, destacou.
Já Maria José Rozado descreveu a experiência de visitar a sede do Tribunal como uma emoção inédita. “Hoje, vejo que nunca tive essa oportunidade. Estou aqui, aos 81 anos, vendo tudo isso, que é uma novidade para mim. Sou técnica de enfermagem aposentada e trabalhei por 26 anos como jurada. Já fui a vários tribunais, mas nunca tinha vindo aqui. Foi a primeira vez, e senti uma emoção muito grande, muito forte”, comentou.
O professor Luís de Miranda Lopes, de 73 anos, classificou a visita como uma oportunidade de aprendizado que pode ser compartilhado com outras pessoas. “Esse momento é algo bem singular, bem ímpar. Qual é a oportunidade que você tem de participar, de estar próximo da cúpula que cuida das questões eleitorais, tão fundamentais para a democracia? É difícil o povo entender a importância da democracia, dos poderes, dos direitos e dos deveres. Por isso, essa oportunidade de vir aqui e ver como se desenvolve um processo eleitoral é importante, porque você pode disseminar esse conhecimento. Por exemplo, vou aproveitar o que aprendi nesta visita e compartilhar nas minhas redes sociais”, afirmou.