Independentemente do clube, que amamos, o sentimento do torcedor na arquibancada é o mesmo, em relação ao clube. Muda apenas a cor da camisa, mas a paixão é a mesma.
No entanto, o torcedor precisa compreender que a jogadora de futebol que defende aquele manto é, antes de tudo, uma trabalhadora, assim como ele, quando está fora do estádio.
Quando ela recorre à Justiça do Trabalho para cobrar direitos não pagos, não está querendo prejudicar o clube, mas apenas deseja exigir o que lhe é devido, como qualquer trabalhador faria se o seu salário ou prêmio não fosse pago. Ou tivesse sofrido um acidente de trabalho e tivesse as sequelas deste.
Não há motivações ocultas: a jogadora apenas quer o que foi prometido e não cumprido, ou o que está assegurado por lei. É uma profissional que foi lesada e deve ser tratada como tal, mesmo que o seu nome esteja nas manchetes esportivas por ter acionado o clube.
O torcedor, que acompanha de perto essas atletas, indo aos jogos ou lendo as notícias, deve agir com empatia e respeito, da mesma forma que faria com um amigo ou familiar em situação semelhante.
As atletas que romperam com o medo de represálias dos outros clubes e de partes da torcida para exigirem seus direitos, essas jogadoras tornam-se um exemplo de coragem, para homens e mulheres pois fazem algo que muitos desejam fazer, mas poucos ousam.
É hora de respeitar e apoiar as nossas atletas, que enfrentam desafios dentro e fora de campo com a dignidade que todos merecemos.
Não podendo ser aceito a diferença entre apoiar e elogiar um atleta masculino que notifica o clube e não vai trabalhar por um atraso no pagamento da premiação por um título, dizendo que se promete, o clube deve cumprir. Mas, quando é uma jogadora do elenco feminino a ofende, dizendo que tinha de ser grata ao clube, por ter podido ter atuado naquela agremiação.