
Eram oito da noite em Brasília quando perguntei ao jornalista Moacyr de Oliveira se o Corinthians ia cair. “Eu acho que não cai, né?” Só no fim da conversa ele revelou que estava na China, tomando café da manhã. Dos três torcedores que ouvi sobre a ameaça de rebaixamento de Grêmio, Internacional e Corinthians, Moacyr era o único que já tinha chegado ao dia seguinte. Nem com essa vantagem dava para saber o destino do Coringão.
O site Infobola põe o Grêmio em 18º lugar, com 37 pontos e 58% de risco de queda. O Corinthians, em 17º, tem os mesmos 37 pontos, as mesmas nove vitórias e 55% de risco. Do outro lado da risca está o Inter, com 38 pontos e 41%. A diferença entre dormir dentro ou fora da zona de rebaixamento, a quatro rodadas do fim, é de um ponto. Dormir bem já é outra história.
Dos três, quem menos se dispõe a brigar com a matemática é o jornalista José Cruz. Gremista, ele olha para a tabela e vê Bahia, Santos, Corinthians e Mirassol. “Só pedreiras. Além de ganhar tem que torcer para que os que estão logo acima percam. Parada dura!” Contra o Corinthians, pelo menos, o serviço pode ser feito no mesmo jogo.
Cruz acha que Renato voltou tarde demais para colocar ordem na casa. E vê uma curiosa possibilidade no calendário do ano que vem, fruto da escolha do Grêmio de priorizar a Copa do Brasil. “Pode até ir para a Libertadores, mas disputando a Série B do Brasileirão.” Eis um torcedor que ainda admite ver seu time na Libertadores e, mesmo assim, é o pessimista da turma.
O colorado Leonardo Alan tem razões para acreditar que o Inter escapa. A primeira apareceu nos acréscimos do jogo contra o Coritiba, no Beira-Rio. Foi quando Alerrandro cobrou o pênalti que valeu a vitória, levou o Inter aos 38 pontos e passou o aperto, pelo menos por aquela rodada, para o lado azul de Porto Alegre.
Alam vê um time mais organizado com Eduardo Batista e, sobretudo, mais disposto a brigar pela bola. Conta com Alan Patrick, com a torcida que abraçou a equipe e com dois jogos no Beira-Rio, contra Vitória e Bragantino. Duas vitórias levariam o Inter a 44, um ponto abaixo dos tradicionais 45 que ele mesmo tomou como referência. Mas Alam já faz uma conta mais ambiciosa. Acha que o Colorado ainda termina o campeonato um pouco mais acima. Para quem acabou de sair do Z4 com um pênalti nos acréscimos, é uma bela recuperação do torcedor.
Fuso horário
Na China, onde participava de um encontro de jornalistas do Diário do Povo, Moacyr de Oliveira, conhecido como Moa, diretor de jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa, foi mais severo com os dirigentes do Corinthians do que com os jogadores. Falou em “uma sucessão de gestões totalmente fracassadas”, cogitou até uma intervenção e resumiu assim sua avaliação do time. “É um elenco limitado, mas não é pra estar nessa situação.”
Moa acredita na permanência. Para a hipótese contrária, já tem resposta. “Se cair, eu nunca vou te abandonar.” E, convidado a imaginar o Corinthians na segunda divisão, o primeiro ano que lhe veio à cabeça foi 2012, justamente o da Libertadores e do Mundial. Pedi ao corintiano um palpite sobre a Série B e ele me respondeu, entre um gole de café e outro, com a melhor lembrança de sua vida de torcedor.
