João Pessoa, sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Até a Conmebol acreditou na “Suíça” do Paraguai
06/11/2026

O brasileiro que atravessou a fronteira com dinheiro suado, convencido de que o Paraguai era a nova Suíça da América do Sul, pode ao menos reivindicar companhia ilustre. A Conmebol, que mora lá e teve bem menos trabalho para conhecer a praça, aplicou US$ 14 milhões no Ueno Bank. O depósito era a prazo fixo. A dúvida, agora, é justamente o prazo.

A entidade garante que seu caixa aguenta e que os clubes podem jogar sossegados. As finais da Libertadores e da Sul-Americana estão mantidas, com US$ 44 milhões em prêmios. Para quem faz a conta em casa, vale traduzir a tranquilidade da cartolagem. Os cerca de R$ 76 milhões aplicados no banco representam pouco mais de 2% de uma receita de US$ 600 milhões. É um privilégio e tanto poder dizer “pouco” e “R$ 76 milhões” na mesma frase.

A pergunta que sobra à tesouraria da Conmebol é a mesma que atormenta o pequeno poupador. O que inspirava tanta confiança num banco que acabou sob intervenção por falta de capital? O Ueno chegou a reunir cerca de 3 milhões de clientes. Quando as contas foram bloqueadas, a crise alcançou até o presidente Santiago Peña, que anunciou a renúncia. Era essa a praça que tanta gente admirava pela segurança jurídica e financeira.

Convenhamos, seria uma injustiça cobrar do brasileiro que juntou suas economias, real por real, um faro que faltou até aos homens que cuidam dos milhões do futebol sul-americano. A diferença aparece na hora do aperto. A Conmebol já pôde dizer aos clubes quando vai pagar. O poupador ainda espera que alguém lhe diga quando vai receber.

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