No sábado, 23 de maio de 2026, em que o Rio de Janeiro respirava futebol masculino com o clássico entre Flamengo e Palmeiras, que aconteceu no Maracanã, uma outra história, delicada e potente, acontecia no Estádio Luso Brasileiro, que interessa ao futebol feminino. Ali, na partida entre Fluminense e Bahia pelo Brasileirão Feminino, a jovem Thalyssa, que amanhã fará 10 anos, viveu um daqueles momentos que podem marcar uma vida inteira, e que provavelmente nunca.
Thalyssa, que é sobrinha da zagueira Danúbia, carrega no olhar e nos pés o amor pelo futebol, que vem de família. Mora no Rio de Janeiro, ama jogar bola e sonha em ser jogadora, embora ainda não esteja em uma equipe de base do futebol feminino.
Mas, naquele dia, ela esteve mais perto do sonho, de também ser jogadora. A convite da atacante Raquel Fernandes, ela entrou em campo ao lado de uma atleta profissional, para acompanhar o time na hora do hino. Em São Paulo, chamamos de mascotinhos; não sei como é em outros lugares o nome, sentindo de perto o ambiente do qual tanto deseja fazer parte um dia.
Cada menina que entra em campo com uma jogadora, nesse momento do hino, representa muito mais do que uma ação simbólica. Representa uma infância que se reconhece no futebol. Representa uma garota que olha para uma atleta e pensa: “eu também posso estar aí”.
No caso de Thalyssa, esse sentimento ganha ainda mais força por ter na própria família a referência de Danúbia, sua tia, que também trilhou esse caminho.
Iniciativas como essa são importantes, válidas e precisam acontecer cada vez mais. Aproximar meninas das jogadoras, ou dos jogadores, dos clubes e dos estádios é também aproximá-las de suas metas de vida, que podem e devem ser cada vez mais incentivadas.
Porque, para quem sonha ser atleta, estar perto do futebol profissional não é apenas uma lembrança inspiradora: é combustível para continuar acreditando.