O que é um filho da puta? Depende; na frase “Conheci um politico filho da puta”, trata-se evidentemente de um adjunto adnominal. Mas prestem bem atenção numa pequena variação. Se eu disser que “o político é um filho da puta”, passa a se tratar de um predicativo. Outra pequena variação; “Esse filho da puta é um político” e então já será sujeito.
Se você encontrar um politico na rua e lhe mostrar um documento comprometedor, dizendo: “Agora nega o roubo, filho da puta” trata-se de um vocativo. No entanto, na frase “O ex-ministro, aquele filho da puta, desviou dinheiro para sua conta bancária” vai se tratar de um aposto.
No setor de arrependimentos pode-se dizer: “Pior é que a lei não permite dar umas porradas no filho da puta”. Aí se tem um objeto direto. Porém se você reclama “Lamento que dei ao filho da puta o meu voto” passa a ser objeto indireto.
Observemos as vozes verbais. Na frase “O filho da puta roubou o dinheiro do povo” temos voz ativa e o sujeito safado é chamado de sujeito agente. No entanto, se mudarmos a frase para “O dinheiro do povo foi roubado pelo filho da puta” passa a ser voz passiva e o safado é chamado de “agente da passiva”.
Tentemos agora usando números. “Ele é o filho da puta numero 1” ou “Ele foi o primeiro filho da puta”. Notaram a diferença? Quando o numeral vem depois do filho da puta, será cardinal. Se aparece antes do filho da puta trata-se de numeral ordinal.
Com relação às orações, temos: “A mãe dele é uma santa, mas ele é um filho da puta”. A segunda oração chama-se oração coordenada sindética adversa. Observem agora uma mudança sutil: “De uma coisa eu tenho certeza: ele é um filho da puta”. Só pelo uso dos dois pontos passa a ser uma oração subordinada substantiva apositiva. E se você disser que “Ele mente, engana, rouba, por isso é um filho da puta”, vai se tratar de uma oração subordinada substantiva explicativa. Por fim, se a frase for: “Fingiu-se indignado quando foi chamado de filho da puta”, será uma oração subordinada adverbial de tempo.
Acho que deu para demonstrar, com o auxílio luxuoso e imprescindível do professor Deonísio da Silva, como alguns políticos servem para algumas coisas, inclusive cultura.
O medo é começarem a roubar algumas letras do alfabeto.