É inacreditavelmente verdadeira a trajetória da taça Jules Rimet. Quando começou a Segunda Guerra Mundial a taça estava na Itália, que havia sido campeã mundial na Copa da França. E mesmo sendo a Itália uma aliada da Alemanha de Hitler, havia o fundado receio de que os nazistas roubassem o troféu, como estavam fazendo com muitos objetos de arte surrupiados nos países invadidos. O Vice Presidente da Fifa era o italiano Ottorino Barassi que decidiu esconder a taça no cofre de um banco. Avisaram-no que os alemães estavam sôfregos à procura do troféu e ele retirou a taça do banco, colocou-a numa caixa de sapatos e escondeu-a embaixo de sua cama.
Os gentis oficiais da Gestapo desconfiaram e deram uma batida em seu apartamento, porém não olharam embaixo da cama. Saíram meio desconfiados e voltaram de surpresa no dia seguinte. Só que Barassi havia entregue a taça para seu vizinho, o general Vacarro, que a escondeu. Não tendo achado o troféu, os educados alemães saíram do apartamento de Barassi e… foram procurar no apartamento do general, que se mostrou indignado. Era amigo pessoal de Hermann Göring e com isso os meninos foram embora.
No dia seguinte lá se foi a taça para um novo esconderijo, uma chácara próxima a Puglia, onde mergulharam-na por 3 anos num barril de azeite até ser devolvida à Fifa no Congresso de Luxemburgo.
Pensam que acabou? Qual o quê. Durante a copa do mundo da Inglaterra em 1966 a taça foi roubada numa história que todos conhecem, porque a falha da Scotland Yard só foi suprida por um cachorro, Pickles, que achou a Jules Rimet no lixo.
E finalmente chagamos a 1983, quando o troféu foi roubado da CBF, no Rio de Janeiro. O inquérito policial dá conta de que os ladrões fundiram a taça e venderam os lingotes de ouro por 15 mil dólares.
E foi? Mas vem cá; primeiramente a taça era de prata folheada a ouro. Já não daria tantos lingotes de ouro, né? Em seguida cabe a pergunta; os ladrões desconheciam que poderiam vender a taça por cem vezes mais?
Na verdade, eu e Ariel Palácios, no seu excelente livro “Futebol lado B”, desconfiamos que a taça se encontra na coleção particular de algum milionário que encomendou o roubo.
Afinal, isso aqui é o Brasil, né?