Quando Martinho Moreira Franco completou 70 anos, em 2016, foi uma festa que nós, amigos e leitores, comemoramos juntos. Jornalista e cronista que não quis ser poeta, seus escritos conduzem à visão panorâmica construída pela força da arte, passando pelo cinema e pela literatura praticada em alto nível. Nele vivenciamos a suavidade do prazer da leitura.
Na esteira da vida construímos amigos que o tempo conserva, sem reboco, com gestos renovados a cada reencontro e nas atitudes que alargam o desejo de tê-los próximos porque ajudam na construção dos saberes que tanto busco.
Fruto da amizade que a atividade jornalística proporciona, são mais de trinta anos de convivência. Tenho me nutrido nas leituras solitárias dos livros que me cercam, e no desfrute da amizade de amigos, como ele, construída sem interesse.
O conheci nos derradeiros anos da década 70 do século passado, quando desejamos aprender muitas coisas. Havia entrado para a redação do extinto O Norte onde todos os dias, recolhido num recanto, copiava telegramas enviados pelas agências de notícias, e sua chegada ali era festejada. Neste ambiente, eu escutava como aluno atencioso, enquanto ele comandava rodas de conversas, quase sempre sobre cinema.
Com Martinho atingimos a maturidade da consciência crítica da arte cinematográfica, porque vai buscar nas entranhas da obra analisada toda a essência para nos deixar a par daquilo que o diretor do filme concebeu, e com isso ajuda-nos a entender a narrativa.
De crítico de cinema para o cronista do cotidiano foi caminho curto. Ele transformou-se num dos nossos cronistas que se apoderam e descrevem os temas com concisão, narrando numa linguagem cinematográfica. Aquilo que não vimos, seus olhos captam com precisão. Mais do que isso, o faz com pitada de humor. Gonzaga Rodrigues lembra que Martinho é quem melhor sintetiza na crônica ou no texto publicitário qualquer assunto. Avoluma-se na sintaxe exuberância.
Grande em estatura física, parecendo jogador de basquete, também se agiganta quando disseca sobre a vida da cidade. São dele os melhores textos de publicidade que falam da Paraíba.
Com ganância de aprender tornei-me meeiro dele e de outros amigos dos quais me aproximei, no seguimento dos conselhos de Nathanael Alves, selecionados na conjugação de boa índole e na capacidade de sentir o invisível. Na constelação de dessa afeição pessoal, ele cedo ocupou grande, sem exigência como deve ser a sadia amizade. Juntos quando necessário, estamos pertos nos mesmos sentimentos que brotam com o águo da sinceridade, na paixão ao mesmo time de futebol, às mesmas canções de Roberto Carlos nos emocionam, a literatura, o Deus que nos criou e moldou. A nossa diferença está na proporção da estatura física.
Um bom amigo se torna prêmio, não busca glória e menos obtenção de lucro, mas cria ambiente para o crescimento dos materiais do espirito humano. Amigos que se cativam partilham os sentimentos. Ajudam na longa travessia. Alimentados com a fraternidade, esperam na profecia da Rimbaud: “Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades”.