Em Jatobá, no Calçadão, entre o Mercado e a Rodoviária, aos goles do café de Maria de Pedro Bernardo, opiniões eleitorais só se sustentam à base de apostas. Ali funciona também a BVJ (Bolsa de Valores de Jatobá), em cujas calçadas se vende e se troca de tudo.
Não há censura. Entretanto, a toda opinião corresponde um desafio — em dinheiro.
— Quer apostar!?
Outro dia, alguém tentava se legitimar sem lastro (apenas para se segurar no emprego) e saiu decifrando os mistérios da estatística e da lógica. Sem nenhum interesse teórico, um dos presentes insistiu:
— Quer apostar!?
Por lá, sabe-se que a mercancia política é antiga. Mas esse mercado é apurado nas urnas. Aos apaixonados, recomenda-se equilíbrio.
Os racionais são instigadores e limitam-se à expressão curta e direta:
— Quer apostar!?
Há quem se negue a pôr dinheiro nas próprias previsões: seja por não ter recursos suficientes, seja para não se desmerecer — digamos. Mas o convite é o grito mais conhecido.
Zezin da Macambira, por exemplo, é taxista, escuta rádio e ouve opiniões, as mais diversas (dizem que é essa a vantagem dele). E nunca lhe faltou uma reserva para as eleições. O próprio carro que usa para os negócios foi fruto de uma aposta — política.
Ninguém sabe em quem ele vota, mas sempre se soube em quem aposta. Não há notícias de perdas dele.
Aos doutos “profetas”, fica o convite: acessem o site da Polymarket e apostem suas previsões.
Ou basta chegar a Jatobá, lá no Calçadão, e dizer:
— Eu aposto!
