As homenagens que a Comissão Arquidiocesana dos Diáconos presta aos arcebispos eméritos Dom José Maria Pires e Dom Marcelo Pinto Carvalheira, justas e merecidas, nos aproximam ainda mais das ações pastorais que motivaram movimentos inesquecíveis e continuam no coração dos fiéis da Paraíba.
Escolhido para falar sobre Dom Marcelo, desejo abordar como ele era profundamente identificado com a mística dos padres do deserto.
Quando se completaram os anos da ordenação episcopal exigidos para a renúncia, em 2004, e tendo concluído seu tempo de pastoreio na Paraíba, Dom Marcelo Carvalheira decidiu retornar ao seio dos beneditinos. O Mosteiro de São Bento de Olinda, que o acolheu na juventude, o recebeu de volta.
No Mosteiro passou a viver um silêncio recompensado pela meditação, reflexões bíblicas, leituras e uma vida embalada por mantras e salmos que remontam ao tempo dos padres da igreja primitiva.
No mosteiro passou a viver como oblato, voltando a ser chamado pelo nome de José. Os últimos anos de sua vida tinha o silêncio da clausura como companhia, somente interrompido pelo badalar do sino chamando para as matinas, as vésperas e as missas, ou quando os pássaros cantavam nas árvores perto dos poderes públicos e econômicos.
Um místico com raízes caboclas que se deslumbrava com as maravilhas de Deus. Um bispo cauteloso, que foi um apóstolo ousado nas terras da Paraíba. Um profeta que se compadeceu do sofrimento dos pobres espoliados pela ganância do lucro.
Durante toda a vida de presbítero e quando bispo, Dom Marcelo assumiu o Cristo dos oprimidos, foi o pastor dos sofredores porque acolhia a todos com igual ternura.
Quando foi ordenado padre, no dia 28 de fevereiro de 1953, em Roma, Dom Marcelo Pinto Carvalheira escolheu como lema a palavra “evangelizar”, que passou a ser o ponto central de toda a sua vida de pastor. Sagrado bispo auxiliar, em 27/12/1975, repetiu com fervor a mesma intenção de continuar a evangelizar como o Bom Pastor. Novamente, tempos depois, reproduziu esta palavra quando assumiu a Arquidiocese da Paraíba.
Durante o tempo em que esteve na Diocese de Guarabira e na Arquidiocese, pontilhou sua vida pelo Evangelho, valorizou e tornou-se um pastor que se fortificou praticando o que Jesus ensinou.
O lema “evangelizar” sempre esteve no centro de sua atuação e viveu com mais efervescência ao assumir, como bispo-auxiliar e depois bispo na Diocese de Guarabira e, em seguida, na Arquidiocese da Paraíba, em substituição a Dom José Maria Pires.
“Evangelizar com Jesus! Evangelizar com Maria! Evangelizar sempre!”, afirmou ao receber o cajado de Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
Agora, quando repousa na vida eterna, seus restos mortais tendo sido transferidos para a diocese que ajudou a implantar, não houve despedida, porque sua presença continuou conosco, na mente e no coração.
Como bispo da Ternura e da Solidariedade, Dom Marcelo Pinto Carvalheira se revelou nas sementes plantadas nas terras da Paraíba, onde enfrentou desafios e construiu ambiente para o novo humanismo cristão em nossas terras.
Dom Marcelo foi, essencialmente, um evangelizador. Um homem de Deus. Atuava com equilíbrio. Um pastor que fez muito pela Igreja na Paraíba, por isso, Dom Marcelo estará sempre conosco.
Qual o papel deste “pastor que tinha o cheiro do povo” na defesa dos oprimidos, e o que mudou na vida das pessoas com quem conviveu, é o que desejamos evidenciar com destaque na História da Igreja na Paraíba, a partir de sua atuação como bispo.
As sementes da fé que plantou na Paraíba deram frutos e deverão continuar frutificando no solo paraibano. Que assim seja.
A oração no silêncio modelou Dom Marcelo para grandes batalhas em favor da vida. Foi presença na defesa dos pobres entre os mais pobres. Um aliado nas causas dos excluídos. Para ele, quem não é solidário com os semelhantes, tampouco é com Deus.
Homem de ação e de contemplação. Homem da esperança que na noite escura fazia raiar luzes e novas esperanças.
Sempre envolvido pela ternura de Deus e impulsionado pelo Espírito Santo, animou corações com suas pregações, gestos e atitudes solidárias. Foi um bispo profético. Estabeleceu uma ponte de amizade entre Jesus e os fiéis, com Maria. Foi um sinal da unidade e de esperança do povo em Deus, o Deus de Abrão, de Israel, o Deus de Moisés, o Deus de Maria, o Deus de José, pai adotivo de Jesus.
Dom Marcelo foi, essencialmente, um evangelizador feliz. Um homem de Deus, um homem de equilíbrio, soube ser pastor que ouvia e caminhava com suas ovelhas
Por tudo que fez pela Igreja na Paraíba, Dom Marcelo continua conosco.
Como Bispo da Ternura e da Solidariedade, Dom Marcelo Pinto Carvalheira revela-se nas sementes plantadas nas terras da Paraíba, onde, durante quase três décadas, enfrentou desafios e construiu ambiente para o novo humanismo cristão.
A oração no silêncio modelou Dom Marcelo para batalhas em favor da vida. Foi presença na defesa dos pobres entre os mais pobres. Um aliado nas causas dos excluídos. Para ele, quem não é solidário com os semelhantes, tampouco é com Deus.
Homem de ação e de contemplação. Homem da esperança.
Envolvido pela ternura de Deus e impulsionado pelo Espírito Santo, iluminou corações e foi um sinal de unidade e de alegria para o povo da Paraíba.
Dom Marcelo foi, essencialmente, um evangelizador. Um pastor que fez muito pela Igreja na Paraíba. Por tudo isso, Dom Marcelo continua conosco.
Obs.: Este texto foi lido pelo Diácono Vanderlan Paulo de Oliveira, a pedido, durante as homenagens a Dom José Maria Pires e Dom Marcelo Carvalheira, na Catedral Basílica Nossa Senhora das Neves, no dia 26 de setembro de 2026.