João Pessoa, terça-feira, 22 de setembro de 2026
Deus e a Arte
22/09/2026

As Igrejas de São Francisco, o Mosteiro de São Bento, a Catedral Basílica Nossa Senhora das Neves, a Igreja do Carmo e da Misericórdia formam um conjunto arquitetônico para acolher a presença humana que busca harmonia com Deus.
Na arquitetura e na arte dos templos religiosos, sejam os antigos ou da modernidade, possibilitam a vivência do contato com Deus e nos educam para entender sua presença no Cosmos.
Em dias recentes, impulsionado pela visão ao Invisível que carrego desde os tempos de criança, percorri os cinco Templos religiosos erguidos no centro de nossa cidade para reencontrar a mística na vivência nestes lugares onde, há desde 1971, tem sido familiar para mim.
Contemplando-os, fico a pensar nas mãos que construíram estes santuários religiosos porque talvez não deram conta de que edificavam lugares onde as pessoas iriam para o encontro com o Invisível, no visível espaço.
As suntuosas basílicas e mosteiros existentes em países europeus hospedam o mesmo Deus que repousa no pequeno espaço nos humildes grotões ou favelas nos arredores das cidades, aqui e do outro lado do mundo.
Enquanto caminho pelas ruas na peregrinação solitária, cheguei à conclusão de que as cidades se apresentam como uma casa a nos acolher. No caso específico da antiga Filipeia de Nossa Senhora das Neves, as antigas igrejas estão em posição geográfica a irradiar energia espirituais.
Naquela manhã, desejava sentir o Supremo em cada Templo. Como caminhante na estrada de Emaús, escuto as Palavras de Jesus aos meus ouvidos e reconheço o Invisível na Eucaristia quando me aproximo do Sacrário, ou do altar com o pão e o vinho colocados nas âmbulas e patenas, fontes inesgotáveis no mais amplo sentido, para reconstruir o projeto de minha vida, a cada dia.
Sem conhecer as catedrais góticas e templos milenares existentes em lugares distantes para o repouso do espírito, contento-me em caminhar pelas Igrejas existentes em nossa cidade para nelas sentir a presença de Deus, vivo no Sacrário.
Em nós existe um umbral de onde olhamos para dentro e para o largo, sabendo que deste umbral passa o perfume de Deus.
Se as pessoas buscassem as igrejas com maior frequência para desfrutar do silêncio do espaço litúrgico, viveriam o reencontro consigo e se alimentaria da paz emanada do lugar.
Sem me dá conta, na minha infância e adolescência, tinha o repouso no cansaço quando andava pela Natureza, escutando o vento nas palmeiras de Serraria e o barulhinho da água nos riachinhos perto de nossa casa, no sítio Tapuio.
Quando cresci, percebi Cristo da fração do pão próximo. Este pão que conhecemos no grande gesto de Jesus, que os habitantes de Emaús também compreenderam depois dele repartir à mesa.
Enquanto percorro os caminhos das cinco igrejas da cidade de João Pessoa, observando a beleza arquitetônica, recordo que cada uma, no seu interior, tem o sentido de recordar o Cosmos. O claustro do Convento São Francisco possibilita essa conexão com o Invisível quando olhamos para o alto.
Nestes lugares sagrados nos tornamos pedras vivas e devemos ter consciência de nosso papel na sociedade.
Como na arte, a literatura inspira-nos no cotidiano, nas paixões e construção de sadios acontecimentos na vida espiritual. Tudo que vem da arte enche a vida de sementes e dão bons frutos.
Nestes espaços sagrados, não podemos renunciar as palavras e o sopro místico. Quem aprende a ver o interior e o exterior dos Templos religiosos e da Natureza, aproxima-se ainda mais de Deus.
Fico com os teólogos quando apontam que “a verdadeira Igreja é a Igreja das pessoas, pedras vivas”.
Isso porque tudo, “a roupa, o alimento, a construção por mais bela que seja, serve a construção das pedras vivas”.
Nos espaços onde Deus habita há esperança, devem entrar os sábios, os poderosos, os coxos, os aleijados, os estropiados, as pessoas com suas dúvidas.
Estes espaços devem estar sempre de portas escancaradas para receber a todos.

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José Nunes
José Nunes

José Nunes é jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras (APL).