João Pessoa, sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Dia da Imprensa  
10/09/2026

No Dia da Imprensa, neste 10 de setembro, manifesto minha gratidão a quatro amigos – Nathanael Alves, Agnaldo Almeida, Carlos Romero e Gonzaga Rodrigues – que foram fundamentais na minha formação de cidadão, de leitor, de repórter e de poeta. Mas também lembrarei de Angélica Nunes, a minha filha que abraçou tão bela profissão, para orgulho de todos nós.  

Nathanael Alves, Agnaldo Almeida e Carlos Romero recordo com saudade e muitas lembranças. Gonzaga continua revelando a mim os segredos da arte de ser jornalista e cronista. Quanto a minha filha, ela escolheu a melhor parte e descobriu seu caminho, sempre estimulada a continuar sendo voz contra a tirania e a insensatez. 

Os três jornalistas foram originais na vida. 

Nathanael me acolheu como um filho, colocou os livros em minhas mãos e me ensinou a gostar do Jornalismo. Carlos Romero foi um pastor amoroso que ofereceu importantes lições. Gonzaga, não menos fundamental na construção do meu caminhar pelas redações, mostrou o caminho da crônica, como produzir o texto leve e conciso. Para Angélica tentei repassar o que deles recolhi como ensinamentos à profissão de jornalista. 

 Os três trilharam com coragem o caminho da Imprensa, produzindo jornalismo de alto nível. No seu tempo, Nathanael Alves deu aprumo ao texto de opinião, ao artigo que leva à reflexão, enquanto que Carlos Romero trilhou pela crônica lírica, de amenidades. Agnaldo lia meus primeiros textos das matérias que escrevia para A União. Gonzaga sempre abordou o apascento humano, passeou pela paisagem rural, pela memória da cidade.

 Eles sempre escreveram com facilidade, clareza do pensamento, brilho e relevo, produziram cintilantes crônicas, belas e com arte.

 Fizeram ver que a vida de jornalista é desgastante, mas dá prazer vivermos para os outros, sabendo do pouco tempo para nós.

 Todos viemos de uma região em que o verde afagava o olhar, por isso sempre tiveram a poesia como companheira de suas produções literárias.

 Sem abandonar minhas qualidades de camponês, o trio de amigos moldou minha fidelidade à terra, esculpiram o caboclo que sou, com a originalidade de nascença, apegado às rochas, ao massapê, às fontes dos riachos e às paisagens fascinantes de Serraria.

 No Dia da Imprensa, homenageando os quatro, faço minha reverência a Nathanael que completaria 92 anos neste 11 de setembro. Para a minha filha desejo comprometimento com o que se propõe fazer, sucesso e bênçãos. Para Gonzaga, a veneração de sempre. Quanto a Carlos, em sua homenagem, peço licença a Germano Romero para transcrever a crônica que seu pai publicou no jornal O Norte (10/09/1952), mesmo em parte, sobre o dia do profissional da Imprensa.

No artigo, Carlos Romero fala que simples fato de ser hoje o Dia do Jornalista, “não quer dizer que os que fazem jornal deixam de comparecer às redações, que as linotipos silenciem, que as máquinas impressoras emudeçam madrugada adentro”.

Na imprensa de setenta anos atrás, quando os redatores usavam paletós, Carlos “o jornalista (falo do jornalista profissional, do homem do batente) quase sempre é injustiçado. A glória, a fama, raramente cobrem o seu nome, o seu túmulo”.

 Na mensagem, ele ressaltou que a riqueza raramente visita o jornalista, o que não mudou em quase nada durante todo esse tempo. 

Repetido o “cala a boca, jornalista” de sempre, àquela época, lembrava que o jornalista poderia “receber como recompensa ao seu trabalho, ao seu esforço, é uma boa surra, altas horas da noite, somente porque disse uma verdade, defendeu uma injustiça, viu aquilo que não era para ver”. 

 Sempre faço minha louvação a estes jornalistas que citei, porque foram importantes na minha vida profissional. Quanto a minha filha, rogo bençãos como pai e admirador.

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José Nunes
José Nunes

José Nunes é jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras (APL).