João Pessoa, domingo, 16 de agosto de 2026
Querendo me comer
16/08/2026

Um candidato que não falava comigo havia quatro anos me viu na feira e fez questão de me agarrar por trás. Foi um abraço tão açochado que eu me assustei e perguntei:

— Oxe, fulano, tá querendo me comer?

Ele soltou uma risada nervosa e disse que era “carinho de campanha”. Ah, bom! Carinho que só aparece de quatro em quatro anos e desaparece no dia seguinte à eleição.

Pois é, na política tem muito abraço que parece calor humano, mas é só fome de voto. O sujeito passa anos sem dar um “bom-dia”, mas, quando chega a eleição, abraça até poste.

Ainda bem que eu já sou velho conhecido da feira e sei distinguir abraço de amigo de aperto de quem só quer me comer — digo, conquistar — por conveniência!

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