
Um candidato que não falava comigo havia quatro anos me viu na feira e fez questão de me agarrar por trás. Foi um abraço tão açochado que eu me assustei e perguntei:
— Oxe, fulano, tá querendo me comer?
Ele soltou uma risada nervosa e disse que era “carinho de campanha”. Ah, bom! Carinho que só aparece de quatro em quatro anos e desaparece no dia seguinte à eleição.
Pois é, na política tem muito abraço que parece calor humano, mas é só fome de voto. O sujeito passa anos sem dar um “bom-dia”, mas, quando chega a eleição, abraça até poste.
Ainda bem que eu já sou velho conhecido da feira e sei distinguir abraço de amigo de aperto de quem só quer me comer — digo, conquistar — por conveniência!