
Campanha política no interior sempre foi uma fábrica de frases inesquecíveis. Em Sousa, o assessor soprou no ouvido do candidato:
— Eu quero manifestar o meu repúdio…
E o homem, inflamado diante do microfone:
— Eu quero manifestar o meu pudim!
A plateia talvez tenha entendido melhor o pudim do que o discurso.
Em Princesa, Gominho dispensava assessor. Baixinho, moreno, de chapéu de feltro, subia na carroceria do caminhão e produzia filosofia política por conta própria. Certa vez reclamou:
— Deixei de comer meu feijão verde na baje para vir comer o furado de vocês!
Noutra visita:
— Deixei de dormir em minha cama de mola para vir dormir na cama de pau duro de vocês!
Mas sua obra-prima continua atual:
— É melhor uma rapadura saigada do que duas promessas doces!
Gominho podia tropeçar nas palavras, mas acertava no eleitor. Hoje há candidato com marqueteiro, teleprompter e discurso ensaiado que não consegue produzir metade da sabedoria daquele velho filósofo dos palanques de Princesa.