Keiko Fujimori assumiu a presidência dizendo que recebeu “um Peru enfraquecido”. A frase era solene, mas o ouvido brasileiro, esse moleque sem compostura, imediatamente entendeu outra coisa. Um peru fraco, abatido, sem firmeza, precisando de vitaminas e talvez de uma consulta urgente.
O problema do duplo sentido é que ele não pede licença à diplomacia. Entra no discurso oficial, derruba a solenidade e transforma crise econômica em piada de quinta série. Keiko falava de inflação, desemprego e instabilidade política; o brasileiro imaginava um peru bambo, incapaz de levantar a cabeça.
Governar já é difícil. Mais difícil ainda é explicar que o Peru precisa ficar forte sem provocar risadas. No Brasil, toda ave corre perigo: basta uma palavra mal colocada para o discurso virar galinheiro.
