segunda-feira, 20 de julho de 2026
Descobri que não sirvo nem para marchar
19/07/2026

Depois de 24 anos na Polícia Civil, descobri que minha carreira foi um completo equívoco. Investiguei crimes, presidi inquéritos, interroguei suspeitos, representei por prisões e enfrentei todo tipo de bandido. Mas esqueci do essencial: aprender a marchar.
Se for verdade o que teria dito o deputado federal Alberto Fraga, tenente-coronel aposentado da PMDF, um coronel pode ser delegado porque estudou Direito. Já o delegado não pode ocupar o lugar de um coronel porque não sabe bater continência, alinhar o passo e obedecer ao comando de “meia-volta, volver”.
Confesso minha vergonha. Passei anos procurando provas quando deveria estar procurando o compasso. Em vez de estudar processo penal, deveria ter treinado o passo ordinário. Talvez muitos crimes permanecessem insolúveis, mas as delegacias desfilariam lindamente no Sete de Setembro.
A tese é revolucionária. Para combater o tráfico, marcha. Para prender assassino, marcha. Para desvendar corrupção, marcha. Se o suspeito fugir, basta ordenar: “Alto! Sentido!”
Só resta saber se Fraga, depois de tantos anos no Congresso, ainda marcha em linha reta. Na política, pelo que se vê, muita gente prefere marchar conforme a música.

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