O Brasil registrou 4,6 milhões de pequenos negócios abertos entre janeiro e novembro de 2025, o melhor desempenho da série histórica. O volume supera os 4,1 milhões de empresas criadas em 2024 e representa crescimento de 19%, segundo levantamento do Sebrae divulgado pela Agência Brasil. Os pequenos negócios responderam por 97% das empresas abertas no país, e os microempreendedores individuais (MEIs) por 77% do total.
O avanço acompanha a simplificação do processo. No primeiro quadrimestre de 2025, o tempo médio para abrir uma empresa foi de 21 horas. Nesse período, o Mapa de Empresas do Governo Federal contabilizou 1.815.912 aberturas e 973.330 encerramentos, com saldo positivo de 842.582 negócios. O país chegou a 23.205.843 empresas ativas.
Os números, porém, mostram os dois lados do cenário. Enquanto a abertura bate recordes, o ritmo de fechamento também segue elevado. Para a Diztu, que atua com escritórios virtuais e gestão de CNPJ para profissionais PJ, isso indica que o desafio mudou de lugar.
“A burocracia de entrada diminuiu, e isso é positivo. Mas muita gente abre o CNPJ sem ter definido como vai organizar o caixa, os custos e a imagem da empresa. É nessa fase que o negócio se sustenta ou não”, Joel Lopes, porta-voz da Diztu.
Quem empreende e como começa
O perfil predominante ajuda a entender o quadro. Os MEIs lideram as aberturas, e boa parte dos novos empreendedores começa com orçamento curto, estrutura enxuta e pouca experiência em gestão. Freelancers, consultores e microempresários em home office formam o centro desse grupo.
Segundo a Diztu, as primeiras decisões pesam mais nessa etapa. Manter custos fixos baixos, separar a vida pessoal da empresa e apresentar uma imagem profissional a clientes e fornecedores estão entre as escolhas que ajudam o negócio a ganhar fôlego. Controle de receitas e despesas, precificação com base no custo real e planejamento tributário aparecem entre os principais pontos de atenção apontados por especialistas.
Depois do recorde de aberturas, a expectativa é que o empreendedor passe a dar mais atenção à estrutura do negócio. Isso inclui desde a organização financeira até decisões simples, como não usar o endereço residencial em documentos fiscais e contratos.
“O profissional PJ não precisa de um escritório físico para ter credibilidade. Precisa de organização e de custos que caibam no mês. Quem entende isso logo no início chega mais longe”, completa Joel.