João Pessoa, quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Boom das corridas de rua amplia debate sobre preparo para emergências cardíacas
21/10/2026 19:54
Redação ON Reprodução

O crescimento das corridas de rua no Brasil está ampliando uma discussão que vai além de pace, percurso e hidratação: a capacidade de espaços esportivos responderem a uma emergência cardíaca. Levantamento divulgado em 2026 pela Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor registrou 5.241 provas oficiais realizadas no país em 2025, ante 2.827 no ano anterior, crescimento de 85%.

A chegada da primavera oferece um gancho adicional para o tema, em um período associado à prática de exercícios e atividades ao ar livre. Apesar de a morte súbita entre atletas ser considerada rara, conteúdo publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2025 cita incidência estimada de um a dois casos por 100 mil pessoas ao ano e destaca que grande parte dos episódios ocorre durante atividades intensas de treino ou competição.

Diretrizes internacionais de ressuscitação reforçam que o reconhecimento rápido da parada cardíaca, o acionamento do serviço de emergência, a realização de RCP de qualidade e a desfibrilação precoce estão entre os componentes centrais da cadeia de sobrevivência. Um posicionamento científico publicado no mesmo ano recomenda ainda que ambientes de treinamento e competição disponham de um plano de ação para emergências, com pessoas capacitadas, acesso rápido a um DEA e transporte médico coordenado.

Não basta ter o equipamento no local

Para a MA Hospitalar, especializada em equipamentos médico-hospitalares e com atuação em soluções de urgência e emergência, a preparação precisa ser pensada como um sistema. Isso inclui saber onde está o equipamento, quem pode buscá-lo, quem inicia a RCP, quem aciona o atendimento móvel e como a equipe organiza a chegada do socorro.

“Em uma emergência, o problema não é apenas possuir um equipamento. Se ninguém sabe onde ele está, se o acesso é demorado ou se a equipe não treinou como agir, minutos importantes podem ser perdidos. O plano precisa transformar recursos disponíveis em uma resposta organizada”, afirma Rodrigo Feijó, Consultor de Produtos da MA Hospitalar.

O DEA analisa o ritmo cardíaco da vítima e orienta a aplicação do choque quando ele é indicado. Por isso, a presença de um desfibrilador cardíaco em ambientes esportivos deve ser acompanhada por treinamento, sinalização clara, manutenção e definição prévia das responsabilidades de cada pessoa envolvida no atendimento.

A orientação científica atual também ressalta que nenhum processo de avaliação prévia consegue eliminar completamente o risco de uma parada cardíaca súbita. Por esse motivo, o plano de emergência deve ser desenvolvido, praticado e utilizado nos ambientes em que atletas treinam e competem.

Corridas apresentam um desafio adicional

Em academias e clubes, o endereço é fixo e a localização dos recursos pode ser conhecida pela equipe. Em corridas de rua, a logística tende a ser mais complexa. Percursos de vários quilômetros, grande número de participantes, pontos de difícil acesso e concentração de pessoas em largadas e chegadas exigem planejamento específico.

A estrutura de atendimento deve considerar não apenas a existência de equipes médicas, mas o tempo necessário para que a resposta chegue aos diferentes trechos do percurso. Rotas para ambulâncias, comunicação entre equipes, identificação dos pontos de atendimento e disponibilidade de pessoas treinadas em RCP ajudam a reduzir improvisos diante de uma ocorrência.

“Uma boa estrutura de emergência começa antes do evento ou da abertura do espaço esportivo. É preciso simular situações, revisar o funcionamento dos equipamentos e garantir que as pessoas que provavelmente estarão mais próximas da vítima saibam reconhecer uma parada e iniciar o atendimento”, explica Rodrigo Feijó.

Treinamento também faz parte da estrutura

As compressões torácicas devem ser iniciadas rapidamente diante de uma pessoa inconsciente e sem respiração normal, ao mesmo tempo em que o serviço de emergência é acionado e o DEA é providenciado. O documento aponta a RCP de alta qualidade e a desfibrilação rápida como intervenções associadas a melhores resultados após uma parada cardíaca.

Para academias, clubes e organizadores de eventos, isso significa tratar o treinamento das equipes com a mesma atenção dedicada aos equipamentos. Professores, treinadores, monitores, seguranças e profissionais posicionados ao longo de uma prova podem estar entre as primeiras pessoas a presenciar uma ocorrência.

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