Sanha tarifária de Trump não dá trégua: após tarifaço de 25%, Brasil entra em nova lista de sobretaxas dos EUA
03/06/2026 06:24
Redação ON Reprodução

A ofensiva comercial do presidente Donald Trump contra parceiros econômicos dos Estados Unidos parece longe de chegar ao fim. Apenas um dia depois de recomendar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano, a Casa Branca anunciou uma nova rodada de sobretaxas que volta a atingir o Brasil.

Desta vez, os produtos brasileiros foram incluídos em uma lista que prevê uma taxação adicional de 12,5% para mercadorias que entram nos Estados Unidos. A medida faz parte de uma nova estratégia comercial do governo Trump, que tenta reconstruir barreiras tarifárias derrubadas recentemente pela Suprema Corte americana.

Segundo comunicado divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), as novas tarifas atingirão praticamente todos os grandes parceiros comerciais do país. Canadá, México, União Europeia, Taiwan e Reino Unido receberão uma tarifa de 10%. Já Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Suíça estarão sujeitos à alíquota mais elevada, de 12,5%.

A justificativa apresentada pelo governo americano é o combate à importação de produtos supostamente fabricados com trabalho forçado. O USTR afirma que países considerados menos rigorosos na fiscalização e repressão dessa prática foram enquadrados na faixa mais alta de taxação.

A decisão amplia a pressão sobre o Brasil em um momento de crescente tensão comercial entre Brasília e Washington. Na véspera, o mesmo USTR havia concluído uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e recomendado a imposição de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros, preservando apenas itens incluídos em uma lista de exceções.

Na prática, o Brasil passou a enfrentar uma sequência de medidas restritivas em menos de 48 horas, alimentando a percepção de que a política comercial de Donald Trump voltou a apostar no protecionismo como ferramenta de pressão econômica e diplomática.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às medidas e atribuiu parte da escalada da crise à atuação da família Bolsonaro junto a setores políticos americanos. O tema deve permanecer no centro das negociações entre os dois países nos próximos dias, enquanto empresários brasileiros acompanham com preocupação o risco de perda de competitividade no principal mercado consumidor do mundo.

Para exportadores brasileiros, a principal dúvida agora é até onde irá essa nova onda tarifária de Trump. O histórico recente mostra que, quando o assunto é impor barreiras comerciais, o presidente americano costuma avançar um passo além do esperado.

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