João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Queiroga abriu a porta, Eduardo Bolsonaro quer derrubar a parede: crise entre PL e Novo ganha dimensão nacional
14/06/2026 17:12
Redação ON Reprodução

A aliança entre PL e Partido Novo, construída em torno de pautas conservadoras e do apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, começa a dar sinais claros de esgotamento. E a primeira rachadura pública surgiu justamente na Paraíba.

Em entrevista à rádio Correio FM, o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, pré-candidato ao Senado na chapa liderada por Efraim Filho (PL), praticamente descartou a importância eleitoral do Novo no estado. Sem rodeios, afirmou que a parceria tem caráter apenas conceitual e não oferece ganhos práticos para a campanha.

Segundo Queiroga, a legenda não acrescenta tempo de televisão nem fundo eleitoral, elementos considerados fundamentais em uma disputa majoritária. A declaração foi interpretada nos bastidores como um recado direto ao grupo do deputado Major Fábio, principal nome do Novo na Paraíba.

Mais do que isso, a fala sinalizou que o PL já não vê como prioridade manter a composição construída nos últimos anos. O próprio Queiroga admitiu que a formação da chapa ainda está em aberto e indicou que o segundo voto para o Senado pode acabar sendo decidido diretamente pelo eleitor, sem uma candidatura oficial apoiada pela coligação.

O que parecia uma divergência localizada ganhou dimensão nacional neste sábado (13). Em uma publicação na rede social X, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro sugeriu abertamente o rompimento entre PL e Novo após críticas feitas por Romeu Zema ao senador Flávio Bolsonaro.

Pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Zema afirmou que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela” ao comentar a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A resposta de Eduardo foi imediata. Além de defender o irmão, acusou Zema de agir por interesse eleitoral e concluiu de forma direta: “Por mim rompia geral com o Partido Novo”.

A declaração tem peso político porque expõe uma insatisfação que já vinha crescendo dentro do bolsonarismo. Nos últimos meses, o nome de Zema chegou a ser cogitado como possível vice em uma eventual chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro. A possibilidade, porém, enfrenta forte resistência entre aliados mais próximos da família Bolsonaro.

O episódio mostra que a tensão entre as duas legendas não está restrita à disputa paraibana. O que começou com questionamentos sobre o peso eleitoral do Novo na composição de Efraim Filho agora alcança o centro do debate nacional e coloca em dúvida a sobrevivência de uma parceria que, até pouco tempo atrás, parecia natural dentro do campo da direita.

Se na Paraíba Queiroga afirmou que o Novo pouco agrega à estratégia eleitoral do PL, direto dos EUA, Eduardo Bolsonaro foi além: passou a defender publicamente o rompimento completo. Em comum, os dois episódios revelam que a aliança entre os partidos atravessa seu momento mais delicado desde que foi construída.

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