João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
STF deixa crise em suspenso e a disputa eleitoral segue sem “vencedor” no Caso Master
16/09/2026 06:25
Redação ON Reprodução

A longa sessão de terça-feira no Supremo Tribunal Federal produziu muito barulho político, mas, a duas semanas da eleição, não entregou uma vitória clara a nenhum dos lados da disputa presidencial.

O julgamento terminou antes de o STF chegar ao ponto central: decidir sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no Caso Master. Com o pedido de vista de Flávio Dino, ficou para depois uma definição que poderia ter provocado forte impacto político em plena reta final da campanha.

Para a oposição, ficou o argumento de que Moraes demonstrou dificuldades para formar maioria no plenário. O placar de 4 a 3 contra a análise conjunta de seu caso com o de André Mendonça revelou uma divisão no Supremo, mas não permite antecipar qual seria o resultado quando os ministros entrarem efetivamente no mérito da investigação.

Do outro lado, o governo também não recebeu do Supremo um resultado que pudesse transformar em trunfo eleitoral. A atuação de Flávio Dino e Gilmar Mendes em posições favoráveis a Moraes deverá continuar sendo explorada pelos adversários de Luiz Inácio Lula da Silva, mas a sessão terminou sem uma decisão capaz de produzir, por si só, uma mudança mensurável na disputa presidencial.

É justamente aí que está a principal consequência do que aconteceu no Supremo: eleitoralmente, fica tudo praticamente como estava.

Quem chegou à sessão convencido de que Moraes deveria ser investigado saiu com argumentos para continuar pensando assim. Quem considerava que não havia elementos suficientes também não recebeu uma decisão definitiva em sentido contrário. E nenhum dos candidatos ganhou do STF um fato consumado para carregar nestas duas últimas semanas de campanha.

Se o processo só voltar ao plenário depois das eleições, o cenário será completamente diferente. O país já terá escolhido seu próximo presidente e o Caso Master deixará de ser um elemento potencialmente explosivo de uma campanha em andamento para ser discutido dentro de uma nova realidade política.

O Supremo, portanto, produziu uma espécie de congelamento do problema. Não absolveu, não condenou e não decidiu sobre a investigação. Apenas deixou a questão em aberto.

Para uma eleição tão apertada e disputada, talvez essa seja a consequência mais importante da sessão de terça-feira: depois de toda a expectativa sobre o que o STF poderia provocar na campanha, ninguém saiu de lá com uma vitória eleitoral para comemorar.

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