segunda-feira, 1 de junho de 2026
Queda no preço do etanol em 20 estados aponta para lentidão no repasse ao consumidor na Paraíba
01/06/2026 11:29
Redação ON Reprodução

O bolso do motorista brasileiro ganhou um fôlego recente com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em um movimento impulsionado pelo avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, o preço médio do etanol hidratado recuou em 20 estados e no Distrito Federal, consolidando uma média nacional de R$ 4,22 por litro – uma retração de 1,17%.

No entanto, por trás dos números que celebram a competitividade do biocombustível no cenário nacional, o comportamento do mercado na Paraíba acendeu um alerta e abriu um forte debate sobre a transparência e a velocidade com que essa redução de preço de fato se reflete nas bombas para o consumidor final.

Enquanto o cenário macroeconômico aponta para uma redução expressiva no custo de produção, a realidade enfrentada pelos paraibanos nas pistas tem sido de frustração. O Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool na Paraíba (Sindalcool-PB) veio a público cobrar respostas das distribuidoras e dos postos de combustíveis. Segundo a entidade, os preços do etanol na origem – direto das usinas – acumularam fortes quedas, influenciados pelo mercado nacional que chegou a registrar recuo de até 23% desde o início do ciclo da safra. O grande gargalo no estado reside no “efeito funil”: a forte redução do preço na indústria demora a se converter em desconto real para o cidadão, gerando questionamentos sobre a retenção das margens de lucro ao longo da cadeia de distribuição.

O mapa da retração

No restante do Brasil, a dinâmica de preços desenhou um mapa nítido de alívio concentrado nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. São Paulo liderou a tendência de queda com uma retração de 2,08%, registrando o menor preço médio estadual do país, fixado em R$ 3,93 por litro, além de apresentar o menor valor isolado encontrado em um posto de combustível em território nacional: impressionantes R$ 2,95 por litro. Estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná também seguiram o mesmo fluxo de baixa, consolidando o etanol como uma alternativa altamente vantajosa frente à gasolina, operando bem abaixo da linha da paridade de 70% que define a vantagem financeira do biocombustível.

Na contramão dessa maré de baixa, apenas quatro estados registraram valorização no período devido a ajustes regionais e custos logísticos. O Amapá liderou as altas com uma subida de 2,40%, ostentando também o título de preço médio mais elevado do país, na casa dos R$ 5,98 por litro. Maranhão, Minas Gerais e Pará completam a curta lista dos estados que fecharam a semana no vermelho para o consumidor. No panorama geral, a paridade média do etanol no país fixou-se em 63,75%, o que mantém o combustível ecologicamente correto no topo da preferência econômica nacional, restando aos estados do Nordeste, como a Paraíba, o desafio de alinhar o varejo à realidade das usinas produtoras.

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