Seguindo tendência nacional e regional, a Paraíba apresentou crescimento em sua estrutura empresarial e nas demais organizações formais entre 2023 e 2024, com crescimento de 6,2% no número de unidades locais (passou de 128,1 mil para 136 mil, respectivamente), de 3,7% no total de pessoas ocupadas (de 880,7 mil para 912,9 mil pessoas), de 1,7% no valor total real (já descontada a inflação por meio do INPC) pago em salários e outras remunerações ou massa salarial (de 29,360 bilhões, para R$ 29,847 bilhões).

Esses resultados fazem parte do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgado nesta quinta-feira (25), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O CEMPRE abrange todas as pessoas jurídicas inscritas no CNPJ da Receita Federal, independentemente da natureza jurídica ou da atividade econômica exercida. As informações são atualizadas anualmente a partir da integração de registros administrativos como o eSocial, RAIS e CAGED, com as pesquisas estruturais de empresas do IBGE nas áreas de Indústria, Construção, Comércio e Serviços.
A publicação distingue dois conceitos: a empresa, que corresponde à pessoa jurídica como um todo (entidade empresarial, órgão público ou instituição sem fins lucrativos) e que responde por suas informações econômicas consolidadas; e a Unidade Local (UL), que representa cada endereço onde a empresa exerce suas atividades. Assim, uma única empresa pode possuir diversas unidades locais.
Salário médio mensal na Paraíba continua sendo o 3º menor do país
Apesar do crescimento na ocupação e na massa salarial, o salário médio mensal na Paraíba foi o único indicador com variação negativa, de -1% (de R$ 3.034,55, para R$ 3.003,29). Convertido em salários mínimos, esse indicador passou de 2,2 para 2,1 salários-mínimos, respectivamente. O salário médio mensal de 2024 continuou a ser o 3º menor do país e do Nordeste, à frente apenas do Ceará (R$ 2.944,91) e de Alagoas (R$ 2.771,87). Ficou equivalente a 97,5% da média nordestina e apenas 76,4% da média nacional.

84,3% das Unidades Locais paraibanas tinham até 4 ocupados e pagavam salários menores
Em 2024, do total de 135.988 unidades locais ativas na Paraíba, 84,3% (114.576 unidades) possuíam até 4 pessoas ocupadas, que responderam por 16,1% (146.614 pessoas) do total de ocupações estadual e 3,3% (R$ 979,7 milhões) da massa de salários e outras remunerações, com salário médio mensal de R$ 1.714, o mais baixo entre as faixas de porte institucional.

Esse levantamento constatou ainda que, à medida que cresce o porte das empresas/instituições, a participação relativa em emprego e remuneração vai aumentando, de forma que as unidades locais que possuíam 500 ou mais pessoas ocupadas, representaram apenas 0,2% (203) do total das Unidades Locais, mas contrataram 38% (346.978 pessoas) do total de pessoal ocupado e 55,5% (R$ 16,6 bilhões) da massa salarial estadual, pagando o maior salário médio mensal (R$ 3.776). Essa tendência confirma a relação direta entre porte empresarial e rendimento médio, onde as instituições de maior porte tendem a oferecer remunerações mais elevadas.
Desigualdades salariais também se refletem entre os setores de atividade econômica
O CEMPRE 2024 mostrou ainda que entre os setores de atividades (seções da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE), aqueles que tiveram os menores salários médios mensais foram os de Artes, cultura, esporte e recreação (R$ 1.570,35), Alojamento e alimentação (R$ 1.641,79) e Atividades administrativas e serviços complementares (R$ 1.740,31). Por outro lado, os maiores salários concentram-se em atividades que, em geral, exigem maior qualificação do trabalhador, como atividades financeiras e de seguros (R$ 7.892,72), Educação (R$ 5.311,03), Eletricidade e gás (R$ 4.513,40), Água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (R$ 3.948,19) e Administração pública, defesa e seguridade social (R$ 3.680,27).

João Pessoa e Campina Grande concentram 63,7% da massa salarial do estado
Em 2024, João Pessoa concentrou 38,3% (52.120) do total das 135.988 unidades locais existentes na Paraíba e 37,8% (48.049) do total de 127.114 empresas e outras organizações atuantes no estado. O município também respondeu por 41,7% (381.401) do total de 912.937 pessoas ocupadas e 41,9% (324.808) de 774.948 pessoas assalariadas em atividades formais no estado. Com cerca de R$ 14,9 bilhões em salários e outras remunerações, João Pessoa detém 49,9% dos R$ 29,8 bilhões de massa salarial estadual, com o salário médio mensal de R$ 3.623,58 (2,6 salários-mínimos) se mantendo acima da média estadual (R$ 3.003,29; 2,1 salários mínimos).

Campina Grande, segundo maior município, representou 13,7% (18.578) das unidades locais e 13,3% (16.877) das empresas e outras organizações ativas estaduais, com 15% tanto do pessoal ocupado (137.241) quanto do pessoal assalariado (116.359) no estado. O município gerou R$ 4,1 bilhões em salários e remunerações, equivalentes a 13,8% da massa salarial estadual, apresentando salário médio de R$ 2.800,96 (2 salários mínimos).
Somadas, João Pessoa e Campina Grande concentraram 52% das unidades locais, 51,1% das empresas e outras organizações, 56,8% do total de pessoal ocupado e 63,7% da massa de remunerações da Paraíba, evidenciando a forte centralização econômica do estado em torno de seus dois maiores municípios, em termos econômicos. Do ponto de vista do rendimento, outros destaques ficaram por conta de Cabedelo, que exibiu salário médio de R$ 3.175,98 (2,2 SM) e massa salarial de R$ 864,3 milhões, bem como Cajazeiras, com salário médio de R$ 3.064,69 (2,2 SM).
Os municípios com menores quantidades de unidades locais no estado foram: São José do Brejo do Cruz (34), São Domingos do Cariri (42) e Areia de Baraúnas (45). No grupo dos dez municípios com menor número de Unidades Locais, apenas três municípios tiveram salário médio mensal acima da média paraibana (R$ 3003,29; 2 SM): Carrapateira (R$ 3.435,77; 2,4 SM), Joca Claudino (R$ 3.307,94; 2,3 SM) e São Domingos do Cariri (R$ 3.061,58; 2,2 SM).