Uma nova estratégia de tratamento trouxe resultados promissores para pacientes com melanoma avançado, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. A combinação de um medicamento oral experimental com imunoterapia aumentou o tempo que os pacientes permaneceram sem progressão da doença em um estudo internacional de fase 3 apresentado nesta sexta-feira (23), durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, na Espanha.
Os resultados do estudo HBI-8000-303 apontaram que a associação do medicamento HBI-8000 ao nivolumabe, uma imunoterapia já utilizada no tratamento de diferentes tipos de câncer, reduziu em 27% o risco de progressão da doença em comparação com o uso de nivolumabe associado a placebo. A pesquisa envolveu 404 pacientes de diferentes países e contou com a participação de centros brasileiros, além do oncologista Dr. Rodrigo Perez Pereira, líder nacional da especialidade pele da Oncoclínicas, entre seus autores e investigadores.
Na análise principal, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 11,7 meses entre os pacientes que receberam a combinação, contra 7,4 meses no grupo tratado apenas com nivolumabe. Isso representa uma diferença de 4,3 meses entre as medianas dos grupos e indica que a nova estratégia conseguiu prolongar o período de controle da doença.
“Nos últimos 15 anos, a imunoterapia mudou o cenário do tratamento do melanoma avançado, proporcionando sobrevida prolongada a muitos pacientes. Agora, estamos investigando novas formas de potencializar essa resposta e ampliar os benefícios do tratamento. O estudo traz resultados importantes nessa direção, especialmente porque avalia um medicamento com um mecanismo de ação diferente daqueles que já utilizamos”, afirma o Dr. Rodrigo Perez Pereira.
Uma nova maneira de potencializar a imunoterapia
A imunoterapia revolucionou o tratamento de diversos tipos de câncer ao estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais. O nivolumabe atua bloqueando a proteína PD-1, uma espécie de freio que pode ser explorado pelo câncer para escapar das defesas do organismo.
O HBI-8000, por sua vez, é um medicamento oral experimental que atua sobre enzimas chamadas histona deacetilases (HDAC), envolvidas na regulação da atividade dos genes. A proposta é modificar o ambiente em que o tumor se desenvolve, favorecendo o reconhecimento das células cancerígenas pelo sistema imunológico e potencializando a ação da imunoterapia.
Em termos simples, a ideia é tornar o ambiente tumoral mais favorável à atuação das células de defesa. Essa abordagem busca superar um dos desafios do tratamento do melanoma: a capacidade que alguns tumores têm de escapar da resposta imunológica ou desenvolver resistência ao longo do tempo.
O estudo também identificou resultados expressivos em um grupo específico de pacientes: aqueles que apresentavam níveis normais de desidrogenase láctica (LDH) no início do tratamento. Essa enzima, medida em um exame de sangue, é utilizada na avaliação do prognóstico do melanoma metastático.
Nesse subgrupo, a mediana de sobrevida livre de progressão chegou a 20 meses entre os pacientes que receberam a combinação, ante 7,4 meses no grupo tratado com nivolumabe e placebo. O resultado reforça o interesse em compreender quais características clínicas podem ajudar a identificar os pacientes com maior probabilidade de se beneficiar de novas estratégias terapêuticas. Como se trata de uma análise de subgrupo, porém, o achado precisa ser interpretado no contexto do conjunto dos resultados.
“Um aspecto importante é que o benefício foi ainda mais expressivo entre os pacientes que tinham LDH normal no início do estudo. Esse é um dado que merece atenção porque nos ajuda a aprofundar a compreensão sobre quais pacientes podem obter melhores resultados. A proposta é continuar avançando para tratamentos cada vez mais eficazes e adequados às características de cada pessoa”, destaca o oncologista.
Avanço científico com atenção à qualidade de vida
O desenvolvimento de novas combinações é uma das frentes de pesquisa para ampliar as possibilidades de tratamento do melanoma avançado. Nesse contexto, os resultados do HBI-8000-303 representam um avanço na investigação de estratégias que possam prolongar o controle da doença por meio de mecanismos complementares.
Como parte da avaliação, os pesquisadores também analisaram a segurança da combinação. Diarreia e náuseas estiveram entre os efeitos adversos mais frequentes, além de alterações nas células sanguíneas.
Esses dados reforçam a importância de avaliar os benefícios em conjunto com a segurança, a tolerabilidade e o impacto na qualidade de vida. O HBI-8000 permanece em investigação e ainda não está disponível comercialmente para essa indicação. Sua eventual incorporação à prática clínica dependerá da análise completa das evidências e da avaliação pelas autoridades regulatórias.
Além dos resultados clínicos, o estudo destaca a participação brasileira na pesquisa internacional em oncologia. A colaboração entre centros de diferentes países contribui para ampliar o conhecimento científico e avaliar novas alternativas que, no futuro, possam beneficiar pacientes com melanoma avançado.
“É importante termos estudos que investiguem novas possibilidades de tratamento para uma doença tão desafiadora. A participação brasileira em pesquisas internacionais como essa mostra a capacidade dos oncologistas brasileiros para a produção de conhecimento em oncologia. Nosso objetivo é transformar os avanços científicos em alternativas cada vez melhores para os pacientes, sempre com atenção à eficácia, à segurança e à qualidade de vida”, conclui o Dr. Rodrigo Perez Pereira.
Sobre a Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em 136 unidades em 47 cidades, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.750 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 537 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. A companhia mantém iniciativas globais, como a Boston Lighthouse Innovation, nos Estados Unidos. Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.