João Pessoa, sábado, 24 de outubro de 2026
Estudos associam períodos eleitorais ao aumento de eventos cardiovasculares
24/10/2026 08:10
Redação ON Reprodução

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos identificaram aumento de hospitalizações por doenças cardiovasculares e de episódios de arritmia em períodos próximos a eleições presidenciais. Com o segundo turno das eleições brasileiras neste domingo (25), os estudos ajudam a ilustrar como situações de estresse intenso podem estar associadas a alterações na saúde cardiovascular.

Publicado em 2022 na revista científica JAMA Network Open, um estudo analisou dados de 6.396.830 adultos vinculados a dois sistemas de saúde da Califórnia. Nos cinco dias após a eleição presidencial norte-americana de 2020, a taxa de hospitalizações por doenças cardiovasculares agudas foi 17% maior do que nos mesmos cinco dias duas semanas antes. Para infarto agudo do miocárdio, o aumento foi de 42%.

Outro estudo, publicado em 2021 no Journal of the American Heart Association, identificou aumento de 77% na incidência de arritmias durante um período de seis semanas que incluiu a eleição presidencial norte-americana de 2016, em comparação com um período de controle. A pesquisa acompanhou 2.436 pacientes que utilizavam dispositivos cardíacos implantados, como marca-passos e desfibriladores. Por se tratar de um grupo com condições cardíacas específicas, os resultados não podem ser generalizados para toda a população.

Como o estresse afeta o coração

O cardiologista Gustavo Lenci, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, explica que situações de forte carga emocional podem provocar uma descarga de adrenalina capaz de acelerar os batimentos cardíacos e desencadear arritmias. Pessoas com doenças cardiovasculares prévias podem ser mais vulneráveis, mas mesmo quem não tem diagnóstico de problemas cardíacos pode apresentar alterações no ritmo do coração ou episódios de pressão alta.

“A descarga de adrenalina provocada por uma situação de estresse intenso pode desencadear uma arritmia. Isso pode acontecer inclusive em pessoas que não têm uma doença cardíaca conhecida. O risco também pode aumentar quando o estresse vem acompanhado de privação de sono e consumo excessivo de energéticos”, explica Lenci.

O especialista alerta que a combinação desses fatores merece atenção. Em períodos de tensão, algumas pessoas dormem menos e recorrem a bebidas energéticas para permanecer acordadas. A privação de sono e o consumo excessivo de estimulantes podem intensificar os efeitos sobre o organismo e favorecer alterações no ritmo cardíaco.

Estresse e infarto: qual é a relação?

O estresse intenso também pode contribuir para desencadear um infarto em determinadas circunstâncias, mas não costuma ser a única causa. Segundo Lenci, o infarto frequentemente está relacionado a um processo que se desenvolve ao longo dos anos, com o acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias.

“O infarto, muitas vezes, é algo que foi cultivado no decorrer dos anos, com uma placa de gordura que vai se depositando e crescendo até que, em determinado momento, ela se rompe e gera o infarto. Então, infarto só pelo estresse é pouco provável, mas, se vier num contexto de hábitos de vida ruins por mais tempo, isso pode acontecer”, afirma o cardiologista.

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