No vácuo deixado por um governo que patina e uma oposição em coma, surgiu na última semana a mais concreta tentativa de reencarnar a tão sonhada terceira via: a federação União Progressista, resultado da aliança entre PP e União Brasil. A formalização aconteceu na terça-feira (29), com pompa, discursos afiados e plateia estrelada no Salão Negro da Câmara dos Deputados — mas o simbolismo vai além da cerimônia.
Mais do que a simples fusão de siglas, a União Progressista se lança como alternativa real à polarização entre Lula e Bolsonaro, que tem dominado as urnas desde 2018. É o início de um reposicionamento estratégico da centro-direita, agora unificada, em busca do protagonismo perdido. Muita gente votou em Lula para barrar Bolsonaro — e vice-versa. A nova federação quer ser o voto de quem rejeita ambos.
No manifesto de lançamento, críticas diretas ao governo: à “economia que não decola”, à ausência de reformas e ao “Estado inchado”. No lugar de apoio ao Planalto, defesas entusiasmadas do capital privado como motor do crescimento e do equilíbrio fiscal como pilar da gestão pública.
O nome lançado como possibilidade para 2026 é Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que tem até o início do próximo ano para alcançar dois dígitos nas pesquisas. Nos bastidores, porém, correm por fora nomes como Romeu Zema, Ratinho Jr. e Tarcísio de Freitas — favoritos para encabeçar uma eventual chapa em aliança com a nova federação, que indicaria o vice.
A força do novo grupo ficou evidente pela presença de líderes de outras legendas, como Valdemar Costa Neto (PL), Hugo Motta (Republicanos) e Helder Barbalho (MDB). “Estamos conversando com outros partidos que podem se juntar à federação”, declarou Ciro Nogueira, presidente do PP e agora um dos articuladores do super bloco.
Mais do que oposição a Lula, a União Progressista quer ser a alternativa ao “ou um, ou outro” que domina a política brasileira. Resta saber se a tal terceira via, finalmente, terá força para chegar ao segundo turno.


